Como uma lasanha virou passaporte: a trajetória de Cook With Fez do diploma de Economia ao Food Network

Cook With Fez: como Federico Polizzi trocou a Laurea em Economia pela lasanha viral e chegou ao Food Network. Tradição, Pandorogate e timing.

Como uma lasanha virou passaporte: a trajetória de Cook With Fez do diploma de Economia ao Food Network

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Como uma lasanha virou passaporte: a trajetória de Cook With Fez do diploma de Economia ao Food Network

Por Chiara Lombardi — Há reviravoltas que se revelam como cenas-chave em um roteiro: para Federico Polizzi, conhecido como Cook With Fez, esse momento aconteceu com uma lasanha. Aos 26 anos, formado em Economia pela Bocconi, ele não abandonou a solidez dos números, mas escolheu transformar a cozinha no palco onde constrói sua narrativa pública.

Fez conta que sua história com a culinária começou cedo, aos 10 anos, numa casa onde a memória familiar trazia o cheiro da tradição: uma avó de origem de família de açougueiros e raízes pugliesi. Entre a correria dos pais e o desejo de oferecer conforto, ele passou a preparar jantares que funcionavam como pequenos atos de cuidado. A culinária virou prática diária, depois paixão obsessiva — livros de receitas empilhados sobre a cama, levados até para o Liceo Scientifico.

O dilema jovem foi clássico: optar pela paixão ou pela formação académica. Federico escolheu a Universidade, estudou Economia e concluiu a magistrale em Milão. Mas a cozinha nunca saiu de cena. Aos 26 anos, já com diploma em mãos, decidiu acelerar na trajetória culinária: entre 2023 e 2024 passou a publicar conteúdo nas redes e a transformar esse projeto em profissão.

O ponto de virada aconteceu em 14 de dezembro de 2023, o dia da sua laurea. Com a coroa de louros na cabeça, ele publicou um vídeo preparando uma lasanha à bolonhesa “portafortuna”. O conteúdo explodiu: um milhão de visualizações em 12 horas. O celular não parou. O vídeo transformou a festa pessoal em uma sequência de oportunidades profissionais. Em dois meses, ele assinou contrato com uma agência; o timing foi descrito por ele como perfeito.

Federico também se vê como um produto desse novo ecossistema: nasceu e cresceu em meio ao Pandorogate, o período em que as regras sobre conteúdo e influenciadores ganharam contornos regulatórios mais rígidos. Hoje, ele constata sua presença na lista da AGCOM como influenciador relevante — um carimbo institucional num universo que antes parecia apenas viralidade espontânea.

O caminho levou Federico a uma sala de estar ampliada: da sua plataforma pessoal para a grade do Food Network, com o programa “Cucina Senza Tempo”. Seu último episódio entrou no ar no domingo, 17 de maio, às 10h. A fórmula que o distingue não é o exibicionismo, afirma: por trás de cada vídeo há estudo, trabalho e cuidado com a execução. A sua imagem jovem e simpática ajuda, mas não é base única do sucesso.

Ao olhar para a trajetória de Cook With Fez, é possível ler algo mais do que uma carreira de influenciador: há o espelho de um tempo em que o talento, aliado à disciplina e ao timing, redefine trajetórias profissionais. A lasanha que o arrancou da sala de formatura não é apenas receita viral — é um símbolo de como o roteiro oculto da sociedade reescreve o valor do saber prático, do afeto e da presença online.

Federico segue ambicioso, com contratos, projetos televisivos e a cumplicidade de uma avó que sonhava ver a cozinha como herança. “Antonella Clerici é o sonho meu e de minha nonna”, brinca, lembrando dos ícones televisivos que moldam desejos de quem faz comida e imagem. O fenômeno Cook With Fez continua a desenhar-se entre tradição e inovação, história familiar e algoritmo — um verdadeiro reframe do que hoje é construir uma carreira na interseção entre cultura e comida.