D23: Disney revela seu mapa até 2029 — de Frozen 3 a Os Incríveis, Marvel e Star Wars

D23 da Disney revela datas e novidades: Frozen 3, Os Incríveis 3, Coco 2, originais como Hexed e Ghost Market até 2029.

D23: Disney revela seu mapa até 2029 — de Frozen 3 a Os Incríveis, Marvel e Star Wars

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D23: Disney revela seu mapa até 2029 — de Frozen 3 a Os Incríveis, Marvel e Star Wars

Anaheim transformou-se, por algumas horas, num grande palco onde a máquina de narrativas da cultura pop mostrou suas cartas. Com mais de doze mil presentes, arena lotada e pulseiras luminosas sincronizadas com a trilha sonora, o evento bienal D23 da Disney expôs não só títulos e datas, mas sobretudo a estratégia que guiará o grupo até 2029: poucos riscos radicais, muitas continuidades e a aposta segura na memória coletiva.

Estrelas como Jodie Foster, Ryan Gosling, Adam Driver, Robert Downey Jr., Chris Evans, Anne Hathaway e Kathryn Hahn desfilaram no palco, mas o destaque real vai para os universos já consagrados: Marvel, Pixar, Star Wars, Frozen, X-Men, Os Incríveis, Coco, Zootopia e Os Simpsons. A leitura é clara: a Disney constrói seu futuro a partir de propriedades narrativas que já funcionam como espelhos do nosso tempo, transformando reconhecibilidade em garantia de bilheteria e extensão de franquias.

No centro dos anúncios, o aguardado Frozen 3 ganhou data americana: 24 de novembro de 2027. A trama promete mesmo coroar o romance entre Anna e Kristoff, introduzir um novo antagonista e ainda reservar surpresas no plano afetivo para Olaf. É a continuação de um roteiro emocional que se consolidou como fenômeno geracional — uma espécie de reframe da infância em discurso adulto.

A Pixar dividiu entre nostalgia e novidade. Foi exibida a primeira concept art de Os Incríveis 3, marcado para 16 de junho de 2028. O tempo narrativo não sofrerá um salto violento em relação ao capítulo anterior; em vez disso, o foco desloca-se para Violet, Dash e Jack-Jack, que começam a sair secretamente à noite para agir como super-heróis sem o conhecimento dos pais. Brad Bird permanece no roteiro, enquanto a direção passa a Peter Sohn, autor de Elemental — uma passagem de bastão que sinaliza continuidade autoral com nova sensibilidade.

Coco 2 chega em novembro de 2029, com Miguel já adolescente voltando à Terra dos Mortos; Benjamin Bratt foi anunciado no papel de Ernesto de la Cruz. Lee Unkrich e Adrian Molina retornam à direção do sequel, reforçando a ideia de que certos projetos precisam do mesmo pulso criativo para preservar sua essência cultural.

Também foi confirmado que Zootopia 3 está em desenvolvimento, sem data definida; Ginnifer Goodwin e Ke Huy Quan devem reprisar seus papéis. Do lado dos originais, desponta Hexed, com estreia nos EUA em 25 de novembro de 2026: acompanha uma adolescente que descobre poderes mágicos, com vozes de Hailee Steinfeld, Rashida Jones, Jodie Foster como uma rainha das bruxas e Walton Goggins interpretando o gato de três olhos Beef Roger Crumchuk.

A Pixar também revelou Ghost Market, previsto para a primavera de 2028, sobre Kyle, um adolescente e creator de Chicago que, nas férias no Havaí, encontra um mercado na fronteira entre vivos e mortos. Dirigido por Trevor Jimenez, o projeto migrou de uma ideia inicialmente pensada como série streaming para um longa-metragem — um movimento que diz muito sobre como as plataformas reconfiguram formatos.

Por fim, o Walt Disney Animation Studios apresentou Clay, dirigido por Fawn Veerasunthorne, com estreia marcada para 22 de novembro de 2028. Esses títulos originais coexistem com blockbusters esperados da Marvel, novos capítulos de Star Wars e expansões de franquias já estabelecidas, compondo um portfólio que busca equilibrar conforto narrativo e pequenas apostas criativas.

O que se percebe no D23 é um roteiro oculto da corporação: menos experimentos arriscados, mais extensão do legado. Como observadora do zeitgeist, vejo esse movimento como um reflexo de tempos que privilegiam a familiaridade em troca de riscos calculados — o entretenimento como espelho do desejo coletivo por continuidade, pertencimento e narrativas que ofereçam tanto catarse quanto reconhecimento histórico.

Em suma, a Disney apresentou um mapa de roteiros e datas que prometem acompanhar a próxima geração — e reapresentar antigos reflexos de identidade e memória em novas roupagens. O público, já acostumado a ler os sinais culturais, terá agora no calendário várias confirmações: entre nostalgia e reinvenção, o estúdio escolhe seguir contando histórias que já sabem dialogar com quem ocupa a plateia global.