David di Donatello 2026: Le città di pianura de Sossai supera La grazia de Sorrentino nas indicações (16 a 14)
David di Donatello 2026: Le città di pianura lidera indicações com 16, superando La grazia de Sorrentino (14). Destaques, números e análise cultural.
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David di Donatello 2026: Le città di pianura de Sossai supera La grazia de Sorrentino nas indicações (16 a 14)
Surpresa no calendário italiano dos prêmios: os David di Donatello — que serão entregues em 6 de maio em transmissão pela Rai1 — revelaram uma liderança inesperada nas indicações. O filme Le città di pianura, dirigido por Francesco Sossai, conquistou 16 nomeações, superando por duas a obra mais recente do premiado com o Oscar, La grazia, de Paolo Sorrentino, que ficou com 14.
Na superfície, pode parecer apenas uma contagem de votos. Mas, como em um bom plano-sequência, a vitória de Le città di pianura reescreve o roteiro simbólico do ano: um filme sobre dois desamparados que dividem a obsessão pelo último copo no Veneto rural — contexto social entre a crise de 2008 e a perda de identidade — acaba prevalecendo sobre o cinema de autor já consolidado de Sorrentino. É um espelho do nosso tempo, onde narrativas menores e territoriais ganham ressonância coletiva.
Logo atrás, com forte presença, aparece Le assaggiatrici de Silvio Soldini com 13 indicações. Em seguida, empatados com oito indicações cada um, estão Fuori de Mario Martone, Duse de Pietro Marcello e La città proibita de Gabriele Mainetti. O estreia no cinema do diretor de ópera Damiano Michieletto, Primavera, também soma oito indicações, enquanto Queer de Luca Guadagnino figura com cinco.
No front das atrizes, nomes consagrados aparecem em dupla: Valeria Golino, Valeria Bruni Tedeschi e Barbara Ronchi estão entre as indicadas, assim como Anna Ferzetti e a jovem Tecla Insolia, que, aos 22 anos, já ostenta dois Davids. Entre os homens, figuram nomes como Toni Servillo, Valerio Mastandrea, Claudio Santamaria, além de Pierpaolo Capovilla e Sergio Romano, intérpretes dos dois bebedores no filme de Sossai.
A cerimônia promete novo ritmo: será apresentada por Bianca Balti e Flavio Insinna, numa aposta em acelerar o espetáculo tradicionalmente mais cerimonioso. O evento ocorrerá no novo teatro de cena (o 23) em Cinecittà. Outra mudança simbólica: o tradicional cumprimento ao Quirinale ficará a cargo de Claudio Bisio, substituindo Geppi Cucciari — uma escolha, segundo a presidente dos David, Piera Detassis, alinhada com o próprio Quirinale.
Alguns números dão a dimensão do ecossistema cinematográfico avaliado: 26 prêmios serão entregues, 118 longas-metragens foram selecionados (com 36 estreias) e 117 documentários constam na lista. Do total de jurados, 94% votaram em todas as categorias, e alguns empates ainda deverão ser resolvidos na etapa final.
Mais do que uma disputa de estatuetas, a corrida por indicações deste ano sugere um reframe cultural: o olhar para micro-histórias regionais e personagens periféricos ganha lugar ao lado da grande mitologia autoral. Em outras palavras, o espírito dos David di Donatello 2026 parece preferir, por ora, o roteiro oculto da sociedade ao filme como vitrine de prestígio — uma pequena revanche da planície sobre o palco.