LOL 6: Siani e Pintus dizem que a vontade de rir resiste — até com a guerra às portas

Siani e Pintus falam sobre LOL 6, gerações da comédia e o papel do riso em tempos difíceis. Checco Zalone e debate sobre os David em pauta.

LOL 6: Siani e Pintus dizem que a vontade de rir resiste — até com a guerra às portas

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LOL 6: Siani e Pintus dizem que a vontade de rir resiste — até com a guerra às portas

Por Chiara Lombardi — Em tempos que se parecem com um longo interlúdio de incertezas, a comédia desponta como espelho do nosso tempo: um espelho que insiste em devolver risos. É essa a leitura de Alessandro Siani e Angelo Pintus, anfitriões da sexta edição de LOL: Chi ride è fuori, que chega ao Prime Video em 23 de abril. Ao lado deles, dois «assi nella manica»: Federico Basso e Andrea Pisani. No elenco que promete transformar pequenas fissuras do cotidiano em gargalhadas estão Carlo Amleto, Valentina Barbieri, Giovanni Esposito, Barbara Foria, Sergio Friscia, Francesco Mandelli, Paola Minaccioni, Scintilla, UfoZero2 e Yoko Yamada.

Perguntados sobre a impressão que tiveram dos participantes desta temporada, Siani descreve um grupo coeso: “Me parece uma comitiva. Um coletivo que fez do afeto e da imprevisibilidade um dogma”. Pintus, com seu humor seco, resume: “São tolos, por isso funcionam” (ri).

Do ponto de vista profissional, ambos destacam uma transformação sutil mas significativa: a passagem fluida do papel de protagonista para o de «spalla» — o parceiro cômico — sem perder a identidade. Há, segundo Siani, um “senso de solidariedade” que atua como arma vencedora. É essa solidariedade que, como num roteiro oculto da sociedade, reconfigura a cena cômica italiana: não apenas competição, mas uma coreografia de ajuda mútua.

O fenômeno Checco Zalone, com seus 80 milhões de bilheteria, reaparece como índice cultural: um evento que demonstra que o público disposto a ir ao cinema é vasto, e que a comédia capaz de dialogar com múltiplas gerações ainda encontra terreno fértil. É uma evidência num cenário em que o riso funciona como um reframe da realidade — uma catálise que reúne audiências distintas.

Em outra frente do debate, Alessandro Gassmann sugeriu boicote aos David di Donatello em solidariedade aos trabalhadores fragilizados do setor cinematográfico. Siani responde com ironia autoexpulsiva (“raramente vou aos David, então me auto-boicoto”) e com uma leitura crítica: há cortes orçamentários significativos que favoreceram, de modo quase paradoxal, produções estrangeiras. Para ele, a provocação de Gassmann é legítima — um chamado para escutar —, mas o que se precisa mais é multiplicar vozes do que apenas ocupar o silêncio.

Ao final, a premissa é simples e sofisticada ao mesmo tempo: se o público ainda ocupa a sala — mesmo com a guerra às portas e as narrativas pesadas — significa que a busca pelo riso persiste. A comédia, aqui, deixa de ser mero entretenimento e vira índice de resiliência cultural, um eco que traduz memórias, ansiedades e desejos de redenção coletiva. Como em um filme bem dirigido, o que importa é a cena que permanece na retina: a plateia que ri, unida, apesar de tudo.