Monica Bellucci em Cannes 2026: 'O que tivemos não acabará' e a transformação para dois filmes

Monica Bellucci em Cannes 2026: fim com Tim Burton, papéis que exigiram transformação e o orgulho pelas filhas Deva e Léonie.

Monica Bellucci em Cannes 2026: 'O que tivemos não acabará' e a transformação para dois filmes

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GERADO EM: Mai 22, 2026 às 19:45

Monica Bellucci em Cannes 2026: 'O que tivemos não acabará' e a transformação para dois filmes

Monica Bellucci, durante sua passagem pelo Cannes 2026, falou sobre o término de seu relacionamento com Tim Burton, afirmando que o carinho e o respeito permanecerão. A atriz apresenta dois filmes: em "Histoires de la nuit", interpreta uma mulher solitária e endurecida, exigindo uma transformação radical de sua imagem. Em "Butterfly Jam", ela assume uma versão de si mesma, refletindo sua trajetória. Bellucci também aborda suas filhas, expressando orgulho pela primogênita, Deva Cassel, que desponta em Hollywood, enquanto monitora a caçula, Léonie, que ainda está estudando. A atriz opta pela discrição em sua vida pessoal, revelando a complexidade da vida feminina contemporânea e sua contínua reinterpretação no cinema.

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Por Chiara Lombardi — Em um gesto que mistura elegância e honestidade emocional, Monica Bellucci falou ao semanal F durante sua passagem pela Croisette, deixando no ar a frase que resume uma despedida sem anátemas: 'O que tivemos não acabará nunca, o afeto e o respeito permanecerão para sempre'. Assim, a atriz italiana arquiva com graça o capítulo sentimental que terminou no último setembro com o diretor Tim Burton, sem transformar a ruptura em espetáculo.

No Cannes 2026, Bellucci apresenta duas obras de fôlego muito diferente entre si: Histoires de la nuit e Butterfly Jam. Em Histoires de la nuit ela é Cristina, 'uma mulher solitária, austera, endurecida pela vida. Uma mulher de sessenta anos que os mostra todos, sem maquiagem e sem concessões'. A exigência do papel a levou a um gesto dramático sobre a própria imagem: 'Tive que me imbruttire — tive que me tornar mais feia para o filme', confessou. 'A este ponto, a imagem não existe mais. No filme, exige-se que eu seja uma mulher que, com o tempo, ganhou também a profundidade que se adquire envelhecendo'.

Já em Butterfly Jam, Bellucci transita por um espelho mais auto-referencial: interpreta uma versão de si mesma, com cenas que citam sua trajetória — fotografias, lembranças e uma presença que dialoga diretamente com sua figura pública. É como se o cinema usasse múltiplos prismas para reverenciar e desconstruir a própria lenda.

Uma parte significativa da entrevista é dedicada às filhas, assunto tratado com um misto de orgulho e olhar antropológico. A primogênita, Deva Cassel, acelera na carreira internacional, consolidando-se em produções entre Itália, França e Estados Unidos — destaque recente para a série da Netflix 'Il Gattopardo'. 'Eu esperava que ela optasse por esse caminho, desde pequena tinha uma veia sensível e artística. Eu via nas formas como pintava, como escutava música, nas perguntas sobre filmes', conta Bellucci, revelando o prazer de ver a filha 'voar e me ultrapassar'.

A caçula, Léonie, aparece nos primeiros passos sob os holofotes e já conquistou capas como a da Vogue Italia, mas a mãe freia expectativas: 'Ela ainda estuda, faltam dois anos para terminar o ensino médio. Gosta de música e canto, tem um espírito artístico, veremos. Não há pressa'.

Sobre o fim do relacionamento com Tim Burton, a atriz prefere a palavra 'estima'. Trata-se de um encerramento privado que não aniquila o laço afetivo: 'O que tivemos não terminará, ficarão sempre o carinho e o respeito'. Ao mesmo tempo, Bellucci escolhe proteger sua vida amorosa atual, sem oferecer detalhes à imprensa. A opção pela reserva é, em si, um ator de reinvenção — uma cena em que a atriz regrava os contornos de sua própria intimidade.

O que ressoa nessa narrativa é a complexidade do feminino na contemporaneidade: uma atriz que foi ícone de beleza decide, artisticamente, apagar sua imagem pública para servir a um papel; uma mãe observa as filhas traçando itinerários próprios; uma mulher de palco escolhe a discrição como dispositivo de poder. Em termos culturais, é um pequeno reframe da realidade: o mito da beleza eterna encontra sua contrapartida na profundidade do tempo — e o cinema, sempre ele, funciona como espelho do nosso tempo.

Monica Bellucci, em Cannes, não oferece respostas fáceis. Prefere costurar memórias, escolhas e imagens com a precisão de quem conhece o ofício e a cena pública. Entre a coragem de se 'imbruttire' e o orgulho materno, a atriz reafirma que sua biografia artística continua a escrever-se em camadas — algumas vistas, outras intencionalmente mantidas fora do foco.