Sabrina Ferilli em 'Gloria - Il ritorno': a diva caída que se reinventa entre escândalos e memória

Sabrina Ferilli estrela 'Gloria - Il ritorno' (3/3, Rai1/RaiPlay): uma ex-diva que inventa escândalos para voltar ao topo e repensar a própria vida.

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Sabrina Ferilli em 'Gloria - Il ritorno': a diva caída que se reinventa entre escândalos e memória

Por Chiara Lombardi — Em um roteiro que funciona como um espelho do nosso tempo, Sabrina Ferilli dá vida a uma mulher que encarna o drama da fama moderna: vulnerável, transgressora e determinada a ressuscitar um passado de glamour. No telefilme Gloria - Il ritorno, dirigido por Giulio Manfredonia, a atriz interpreta Gloria Grandi — também conhecida pelo nome artístico Gloria Cicalone — uma ex-diva do cinema dos anos 90 que percorre os bastidores tortuosos de uma tentativa de retorno.

Produção da Eagle Pictures em parceria com Rai Fiction, o filme estreia em 3 de março, em prime time na Rai1 e também em RaiPlay. A narrativa revela uma personagem que, para recuperar a visibilidade perdida, recorre a artifícios extremos: inventa um acidente de carro, simula uma doença grave e, por causa dessas mentiras, acaba presa e depois sendo acompanhada por serviços sociais. Como se não bastasse, surge a ameaça de uma biografia não autorizada que expõe suas origens no bairro romano do Tufello.

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“Di solito ho interpretato dei personaggi che definirei santini, corretti, regolari… stavolta mi piace impersonare una donna che viene presa a schiaffi da destra e da sinistra”, disse Sabrina Ferilli, ao definir Gloria como uma figura falível, politicamente incorreta — uma “simpatica canaglia” com quem o público pode tanto rir quanto confraternizar em sua queda e tentativa de redenção. É um retrato de fragilidade que se aproxima do contemporâneo: um roteiro que expõe o roteiro oculto da sociedade em torno da fama.

O diretor Giulio Manfredonia acrescenta que a jornada de Gloria é uma viagem a ritroso que a reconcilia com ela mesma e com os laços familiares. Nesse movimento, o telefilme se transforma em uma narrativa de reconexão — um reframe da realidade onde a personagem confronta memórias, escolhas e o preço da visibilidade.

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Fora da ficção, Sabrina Ferilli comenta sua relação com o estrelato e as luzes que o acompanham: “Sem brincadeiras, sempre defendi a minha vida privada da atenção midiática.” Diferente de sua personagem, que vive pelas redes, ela confessa que nunca se deixou condicionar pela comunidade virtual e aprendeu a bloquear comentários nocivos quando necessário. A atriz diz sentir, porém, uma fome criativa — e muita energia para novos projetos.

Apesar de não comparecer ao Festival de Sanremo — que ela enaltece como “um espetáculo extraordinário da TV generalista e uma carta de identidade da Itália em transformação” — Sabrina revela um desejo profundo de voltar aos palcos. Com um passado teatral sólido, incluindo 11 anos no Teatro Sistina e colaborações com mestres como Garinei e Giovannini e Gigi Proietti, ela sonha com um monólogo onde possa narrar sua própria trajetória: 61 anos de vida, 35 de carreira, personagens que deixaram marcas no seu tecido pessoal. É o desejo de escolher o que interessa — e de ver as luzes apagarem quando e como ela quiser.

Em Gloria - Il ritorno, portanto, vemos mais do que a performance de uma estrela: percebemos o eco cultural de uma era em que a celebridade se confunde com a persona, onde o palco digital impõe uma semiótica do viral. O telefilme promete ser, além de entretenimento, um pequeno tratado sobre vergonha, reinvenção e perdão — o roteiro íntimo de uma mulher que decide reescrever a sua própria história.

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