Áudio ausente e o pênalti não marcado a Bisseck: como Inter-Roma voltou ao centro da investigação sobre o VAR
Investigação reabre o caso do pênalti a Bisseck em Inter-Roma: áudio do VAR não comprova diálogo denunciado e apurações seguem na esfera arbitral.
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Áudio ausente e o pênalti não marcado a Bisseck: como Inter-Roma voltou ao centro da investigação sobre o VAR
A partida Inter-Roma, disputada em 27 de abril de 2025, reaparece com força nas linhas do inquérito da Procuradoria de Milão que investiga a conduta da arbitragem e a atuação no VAR. O episódio central — o suposto pênalti cometido sobre Bisseck, que poderia ter mudado o rumo da disputa pelo título com o Napoli — continua a alimentar dúvidas e a mobilizar depoimentos de árbitros envolvidos no processo.
Segundo depoimentos colhidos pela investigação, transcritos por jornais, teria havido um diálogo na sala do VAR entre o árbitro de vídeo Marco Di Bello e seu assistente Marco Piccinini. A frase atribuída a Di Bello — “Fatti i fatti tuoi” — seria a resposta a uma sinalização sobre a falta em Bisseck. No entanto, esse trecho não encontra correspondência no áudio oficial divulgado posteriormente: o alegado comentário não aparece nas gravações que circularam, inclusive na publicação posterior pela transmissão Open Var, ocorrida cerca de um mês depois do jogo.
Do ponto de vista processual, a apuração concentra-se por enquanto na esfera arbitral. As imputações iniciais da Procuradoria referem-se, sobretudo, às supostas "bussate" enviadas à sala do VAR durante jogos como Udinese-Parma e Salernitana–Modena. Há ainda o capítulo que desencadeou a investigação, a partida Inter-Verona, e outras causas de atenção envolvendo o Inter em confrontos contra Bologna e Milan, investigadas sob a hipótese de indicações de árbitros "agradáveis" àquele clube. Importante sublinhar: nem o clube Inter nem seus dirigentes estão, por ora, formalmente indiciados no inquérito por fraude esportiva da Procuradoria de Milão.
A figura do ex-designador Gianluca Rocchi é central para compreender o alcance das diligências. Rocchi e a teia de relações a ele associada foram objeto de denúncia pelo ex-auxiliar arbitral Domenico Rocca, cujo documento foi incorporado ao processo. Na carta, Rocca aponta discrepâncias de procedimentos, contrapondo a atuação em Udinese-Parma — quando, segundo ele, Rocchi teria "batido" para orientar a intervenção do VAR — com o que ocorreu em Inter-Roma, quando, afirma, o supervisor de plantão, Andrea Gervasoni, não teria solicitado a revisão do lance favorável ao Inter.
Gervasoni foi formalmente chamado a depor e, ao contrário de Rocchi, que poderia optar por permanecer em silêncio, manifestou intenção de colaborar com as investigações. O cenário é, portanto, de acúmulo de versões: há registros públicos (como o áudio posterior e as discussões em comissões), depoimentos que chegam à Procuradoria e uma lacuna técnica — a ausência da frase alegada na gravação — que reabriu o debate sobre responsabilidade, procedimentos e memória institucional da arbitragem.
Como observador que lê o esporte além do resultado, convém lembrar que a discussão não é apenas sobre um lance isolado. Trata-se de instituições que regulam a competição, de práticas de poder dentro de uma rede profissional e da percepção pública de legitimidade de um campeonato — fatores capazes de moldar identidade de clubes, confiança dos torcedores e até desfechos esportivos. A apuração em Milão, ao focar o perímetro arbitral e as relações entre supervisores, designadores e varistas, lança luz sobre como essas estruturas funcionam — ou falham — em momentos de máxima tensão competitiva.
Nos próximos dias espera-se que novos depoimentos e eventuais evidências complementares ajudem a esclarecer se houve manobras indevidas, omissões procedimentais ou simples falhas humanas, e quais serão as consequências administrativas e esportivas. Até lá, o caso Inter-Roma permanecerá como um teste para a credibilidade do sistema de arbitragem italiano e para a capacidade das instituições de garantir transparência em uma das ligas mais observadas do mundo.