Empate dramático entre Áustria e Argélia (3-3): Rangnick rejeita 'biscoito' e relembra Gijón

Áustria e Argélia empataram 3-3; Rangnick nega 'biscoito' e Petković relembra Gijón. Análise do jogo e desdobramentos rumo aos 16 avos.

Empate dramático entre Áustria e Argélia (3-3): Rangnick rejeita 'biscoito' e relembra Gijón

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Empate dramático entre Áustria e Argélia (3-3): Rangnick rejeita 'biscoito' e relembra Gijón

Áustria e Argélia empataram em uma partida que, até o apito final, parecia impossível prever: 3-3 no Arrowhead Stadium, em Kansas City. O resultado garantiu a passagem das duas seleções aos 16 avos de final — a Áustria como segunda do Grupo H e a Argélia como terceira — enquanto o Irã viu sua campanha encerrar-se fora da lista das melhores terceiras.

O episódio, recheado de reviravoltas (seis gols, viradas e dois sustos nos minutos finais), reabriu o debate público sobre a chance de um suposto acordo entre as equipes — o famoso “biscoito” que, na memória coletiva do futebol, remete a acordos de resultados combinados. Ralf Rangnick, treinador da Áustria, foi categórico ao rejeitar qualquer insinuação de conluio: “Em uma partida que termina 3-3, ninguém pode supor que houve um acordo, sobretudo considerando o que vimos nos últimos 90 segundos”, afirmou o técnico de 67 anos ao fim do confronto.

Do ponto de vista tático e emocional, a partida teve contornos dramáticos. A Áustria abriu vantagem em duas ocasiões com gols de Arnautovic e Sabitzer, mas a Argélia reagiu com a frieza de Rafik Belghali e a classe de Mahrez, culminando em um empate que só se consolidou após momentos de grande tensão nos acréscimos.

“Há três minutos do fim, quem tivesse previsto esse desfecho seria chamado de louco”, disse Rangnick, numa apreciação quase histórica do que viu em campo. “Sou treinador há cerca de 40 anos e não me recordo de uma partida com um percurso tão dramático e imprevisível. Todos esperavam 0-0 ou 1-1; saiu 3-3. Nos vestiários há delírio. Se Alfred Hitchcock tivesse escrito essa história, eu teria dito que era fora de si.”

O treinador austríaco insistiu em que os últimos 15 minutos mostraram vontade de vencer por parte dos atletas: “Quem acompanhou os minutos finais entendeu que não havia desejo de se acomodar com o empate. Acho que queriam ganhar. Ninguém me venha dizer que, aos 93 minutos, alguém planejou marcar mais um gol.”

Do outro lado, o técnico da Argélia, Vladimir Petković, também repudiou as suposições. A lembrança da “vergonha de Gijón” de 1982 — quando Alemanha Ocidental e Áustria entraram em acordo tácito que eliminou a Argélia — foi presente na antevéspera do jogo. Petković celebrou que, desta vez, “venceu o futebol, venceu o esporte. O 3-3 fala por si”.

Além do resultado, a partida funciona como um pequeno espelho do futebol moderno: transmissão global, memórias históricas que não se apagam e a suspeita permanente que ronda confrontos com interesses cruzados. A diferença, aqui, foi a imprevisibilidade do desempenho coletivo e o desfecho aberto até o último segundo — elementos que alimentam tanto a paixão quanto a desconfiança de torcedores e analistas.

Nos próximos capítulos do torneio, a Áustria enfrentará a Espanha em 2 de julho, às 21h, enquanto a Argélia medirá forças com a Suíça em 3 de julho, às 05h. Episódios como o deste 3-3 deixam claro que, além de resultados, o futebol carrega camadas de memória e significado que se estendem muito além do apito final.