Copa do Mundo 2026 começa com cerimônia no Azteca; Shakira e Burna Boy entoam 'Dai Dai' e Bocelli apresenta 'DNA'

Copa do Mundo 2026 começa no Estádio Azteca: Shakira e Burna Boy cantam 'Dai Dai' e Andrea Bocelli estreia 'DNA' na cerimônia de abertura.

Copa do Mundo 2026 começa com cerimônia no Azteca; Shakira e Burna Boy entoam 'Dai Dai' e Bocelli apresenta 'DNA'

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Copa do Mundo 2026 começa com cerimônia no Azteca; Shakira e Burna Boy entoam 'Dai Dai' e Bocelli apresenta 'DNA'

Por Otávio Marchesini — A Copa do Mundo 2026 teve início com uma cerimônia de abertura marcada por símbolos musicais e geopolíticos, ontem à noite, no emblemático Estádio Azteca, na Cidade do México. A 23ª edição do torneio, disputada de forma inédita por 48 seleções em três países — México, Estados Unidos e Canadá — foi oficialmente inaugurada antes da partida entre México e África do Sul, arbitrada pelo brasileiro Wilton Sampaio e assistida por cerca de 80 mil espectadores.

A cerimônia durou aproximadamente 90 minutos e apresentou uma mise-en-scène pensada para traduzir a natureza continental e híbrida deste Mundial. No centro do espetáculo, Shakira subiu ao palco e interpretou o hino oficial do torneio, "Dai Dai", ao lado do nigeriano Burna Boy. A escolha de vozes tão diversas sugere uma tentativa deliberada de representar a pluralidade cultural que o futebol congrega — uma coreografia sonora entre América Latina, África e diásporas globais.

Além dos dois artistas, desfilaram sobre o palco nomes como J Balvin, Belinda e Alejandro Fernández, numa escala que incorporou também Danny Ocean, Lila Downs, Los Angeles Azules, Maná e Tyla. Em um momento de evidência cultural e simbólica, Andrea Bocelli e EJAE apresentaram pela primeira vez ao vivo "DNA", a canção que a FIFA escolheu como hino oficial complementar desta edição.

"DNA" foi produzida para assinar musicalmente o torneio: reúne o tenor italiano Andrea Bocelli, o DJ e produtor francês David Guetta, a rapper vencedora de Grammys Megan Thee Stallion e a cantora e compositora EJAE. A combinação de vozes e timbres traduz a ambição do evento — afirmar uma marca emotiva que atravessa fronteiras e gerações, em um Mundial que se realiza simultaneamente em 16 cidades-sede.

Nas palavras de Bocelli, citadas durante a cerimônia, o título "DNA" sintetiza uma ideia central: "o futebol faz parte da minha vida desde sempre". Para um artista cuja trajetória dialoga com plateias massivas, cantar o hino do Mundial é tanto um gesto artístico quanto um ato de inserção em um ritual coletivo que tem impacto social e simbólico global.

Do ponto de vista esportivo, o calendário inicial já colocou em campo confrontos que traduzem a nova geografia do futebol. Após o jogo de abertura, realizou-se a segunda partida do grupo — Coreia do Sul vs República Tcheca — marcada para as 4 horas (horário italiano). As próximas datas de interesse: sexta-feira, 12 de junho, às 21h (hora local do torneio), com Canadá x Bósnia — confronto que evoca a trajetória dos playoffs de março, quando a Bósnia eliminou a Itália — e sábado, 14 de junho, às 03h (horário italiano), com a estreia dos Estados Unidos em Inglewood, na periferia de Los Angeles, diante do Paraguai.

Mais do que um show de abertura, a noite no Azteca foi uma declaração: este Mundial se propõe a ser um espaço de convergência cultural, extensão de mercados e reafirmação de símbolos nacionais e transnacionais. Como observador, é preciso acompanhar não apenas os gols, mas as escolhas simbólicas — musicais, cerimoniais e urbanísticas — que acompanham um evento capaz de projetar narrativas sobre identidade, memória e economia esportiva no continente.