Henley: no Tamigi, a Itália volta a brilhar com duas vitórias históricas no remo

Itália conquista duas vitórias históricas no Henley Royal Regatta no Tamigi: estreia feminina e triunfo no quatro de par após 37 anos.

Henley: no Tamigi, a Itália volta a brilhar com duas vitórias históricas no remo

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Henley: no Tamigi, a Itália volta a brilhar com duas vitórias históricas no remo

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia

Em uma tarde que combina tradição e renovação, a seleção italiana de remo acrescentou duas páginas significativas à sua história na Henley Royal Regatta, disputada no venerável Tamigi. Em poucas horas, a comitiva italiana conquistou resultados que valem tanto pelo significado simbólico quanto pela qualidade técnica: a inédita vitória feminina no evento de pares e o retorno ao topo na prova do quatro de par que não vinha desde a última conquista de 1989.

No começo, foi a dupla feminina de Laura Meriano e Alice Codato quem impôs o ritmo. As italianas venceram a final da Hambleden Pairs Challenge Cup contra as tchecas Santrukova e Flamikova. Desde a largada, Meriano e Codato demonstraram agressividade e precisão, abrindo margem que mantiveram até a linha final; foram primeiras nos pontos intermediários de Barrier e Fawley e fecharam com vantagem de cinco comprimentos. O triunfo tem peso histórico: trata-se da primeira vitória feminina italiana na competição em 187 anos de história da regata.

Horas depois, o quatro de par masculino confirmou a superioridade técnica e tática do elenco italiano. Composto por Giacomo Gentili, Andrea Panizza, Luca Rambaldi e Luca Chiumento — atletas já reconhecidos no circuito como campeões mundiais e vice-campeões olímpicos — o barco fez um início decidido e logo tomou a dianteira sobre a embarcação da casa, a Inglaterra, vice-campeã mundial. Apesar do apoio massivo do público de Henley ao barco britânico, os italianos mantiveram um ritmo alto; ao ponto de medição em Fawley, a vantagem italiana já beirava quase um casco. No ataque final, mesmo com a Inglaterra subindo a 45 remadas por minuto, o quarteto nacional controlou a prova e cortou a linha em primeiro lugar, devolvendo à Itália a Queen Mother Cup após 37 anos.

Nem tudo foi perfeito: nas finais das duas grandes amiraglie (o oito masculino e o oito feminino) os italianos foram superados pelos anfitriões britânicos. O oito masculino contava com Giuseppe Vicino, Nunzio Di Colandrea, Salvatore Monfrecola, Matteo Lodo, Matteo Sartori, Giovanni Abagnale, Giovanni Codato e Emanuele Gaetani Liseo, timoneados por Alessandra Faella. No feminino, o oito reuniu Alice Codato, Laura Meriano, Silvia Terrazzi, Elisa Mondelli, Giorgia Pelacchi, Angelica Merlini, Alice Gnatta e Clara Guerra, com Emanuele Capponi no leme.

Do ponto de vista institucional, os dois triunfos são assinados sob a direção técnica de Antonio Colamonici e representam o quinto e o sexto (contabilizando as modalidades) sucesso italiano em Henley dependendo da contagem histórica: têm precedentes ilustres como Giuseppe Sinigaglia (SC Lario) em 1914, o double dos triestinos Skerl e Brosch (SC Nettuno) em 1939 e o quatro de par de Gianluca Farina, Giovanni Calabrese, Davide Tizzano e Filippo Soffici em 1989. Esses marcos mostram como vitórias em Henley funcionam como pontos de referência na memória coletiva do remo italiano, marcando tanto ciclos de excelência quanto momentos de reconstrução técnica e cultural.

A leitura mais ampla desse duplo êxito — e aqui reside a dimensão que mais nos interessa enquanto analistas — é o sinal de vitalidade de um sistema que soube renovar talentos e manter excelência em provas icônicas. Henley, com sua tradição quase patrimonial, não é apenas um palco de resultados: é um espelho das estruturas que suportam o esporte em cada país. Que a Itália volte ao pódio em terras inglesas depois de décadas demonstra que formação, investimento e identidade técnica continuam a produzir frutos; e que estes frutos, quando colhidos em um dos cenários mais simbólicos do remo mundial, reverberam para além da régata.