Inglaterra vence México por 3-2 no Azteca e avança aos quartas do Mundial
Inglaterra vence México por 3-2 no Azteca; Bellingham brilha e Kane marca pênalti. Inglaterra avança às quartas do Mundial.
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Inglaterra vence México por 3-2 no Azteca e avança aos quartas do Mundial
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma partida que combinou dramaturgia esportiva e significado simbólico, a Inglaterra superou o México por 3-2 no Estadio Azteca e garantiu vaga nas quartas de final do Mundial. O resultado foi decidido pela dupla contribuição de Bellingham — autor de uma dobradinha — e pelo pênalti convertido por Kane, em confronto que ficará na memória pelo equilíbrio entre técnica e fôlego emocional.
O jogo começou com os donos da casa mostrando intenções ofensivas: um cabeceio de Jiménez obrigou grande defesa de Pickford, e por um longo trecho a partida ficou travada, com a construção inglesa encontrada lenta e previsível. A chave, entretanto, surgiu aos 36 minutos: uma transição rápida conduzida por Rice terminou com um cruzamento de Saka no segundo pau, onde Bellingham apareceu para cabecear e abrir o marcador. No minuto seguinte, após recuperação agressiva de Anderson sobre Mora, Kane serviu Bellingham para o 2-0 — definindo, ali, um panorama que normalmente extinguiria a reação de qualquer adversário.
Mas o México não se rendeu: aos 42, Quinónes aproveitou confusão na área inglesa e diminuiu. No final do primeiro tempo, os anfitriões ainda tiveram chances de empatar, com Jiménez e Montes chegando próximos ao gol. No segundo tempo, a partida mudou com a expulsão de Quansah, aos 54, depois de tackle duro sobre Gallardo e revisão do VAR comandada por Faghani — episódio que alterou a arquitetura tática do jogo.
Com um a menos, a Inglaterra recorreu à liderança de Kane. Aos 60 minutos, após assistência e participação direta do capitão, houve falta sobre Gordon e pênalti convertido por Kane, ampliando para 3-1. A vantagem, no entanto, não foi suficiente para encerrar a tensão: aos 69, nova revisão de vídeo confirmou toque de Kane no pé de Gutierrez e o árbitro assinalou outro pênalti, bem convertido por Jiménez.
Os últimos quinze minutos, acrescidos de onze por interrupções constantes, tornaram-se uma longa sequência de resistência inglesa e esperança mexicana. O técnico Aguirre tentou a cartada do triplo centroavante, mas as substituições — incluindo Giménez, que acabou lesionado — não foram suficientes para reverter o placar. O triunfo de 3-2 manteve a invencibilidade do selecionado inglês longe de ser uma simples soma de gols: foi, também, uma demonstração de controle emocional sob pressão e capacidade de gestão de momentos decisivos.
Além do resultado, a partida tem marcas históricas: o México sofreu sua primeira derrota no Azteca em um Mundial (após oito vitórias e dois empates) e Bellingham, com 23 anos e 6 dias, tornou-se o mais jovem a alcançar dez partidas em Copas do Mundo. Agora, a Inglaterra segue para os quartas e enfrentará a Noruega no sábado à noite.
Como analista, registro que o jogo expõe duas vertentes do futebol contemporâneo: a força simbólica do estádio como resistente memória coletiva e a dependência crescente de seleções em líderes que articulam simples eficácia com capacidade de presença em momentos-chave. O vencedor foi quem soube equilibrar juventude e experiência — e, nesta noite no Azteca, esse equilíbrio teve rosto inglês.