México vence África do Sul por 2-0 na abertura do Mundial 2026 em partida marcada por três expulsões
México vence África do Sul por 2-0 no Estádio Azteca; três expulsões e protestos por desaparecidos marcaram a estreia no Mundial 2026.
RESUMO ✦
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México vence África do Sul por 2-0 na abertura do Mundial 2026 em partida marcada por três expulsões
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — No Mundial 2026, a cerimônia esportiva encontrou a sua face mais complexa: dentro do Estádio Azteca o México estreou com vitória por 2-0 sobre a África do Sul, mas a partida inaugural foi tão notícia fora das quatro linhas quanto dentro delas. Em campo, os gols de Quinones e do veterano Raúl Jiménez garantiram os primeiros três pontos do Grupo A; fora dele, as tensões sociais se manifestaram em protestos nas imediações do estádio.
O jogo reapresentou, de certa forma, o roteiro do confronto de abertura de 2010: protagonistas já identificáveis, leituras táticas claras e a capacidade do futebol de reavivar memórias. Aos 8 minutos, Quinones aproveitou um erro de Sithole e fez passar a bola por baixo do goleiro Williams, abrindo o placar. O primeiro tempo ainda trouxe momentos de pressão mexicana — aos 19 minutos um chute do mesmo Quinones raspou o ângulo, e aos 42 minutos Gutierrez serviu Quinones, cujo arremate acertou o poste.
O desempenho do arqueiro sul-africano, porém, foi irregular: logo aos quatro minutos tinha feito um milagre ao negar um cabeceio de Raúl Jiménez, mas sofreu com as infiltrações mexicanas ao longo do período inicial. A segunda parte ampliou o tom combativo do embate. Aos 50 minutos a partida se desequilibrou quando Sithole cometeu falta para parar uma arrancada e foi expulso pelo árbitro brasileiro Sampaio, alterando o panorama técnico e emocional do jogo.
Com o controle do jogo, o técnico mexicano Aguirre tentou injetar juventude e potencial criativo: aos 66 entrou o jovem de 17 anos Gilberto Mora, do Club Tijuana, recentemente associado a rumores de interesse do Milan. A definição veio pelos pés do homem de experiência: Raúl Jiménez aproveitou cruzamento de Alvarado e, de cabeça, fechou o placar em 2-0. Nos minutos finais, a defesa liderada pelo zagueiro genovês Vasquez gerenciou o resultado.
O jogo, porém, teve ainda mais cartões vermelhos. Zwane foi expulso após atingir Alvarado longe da bola, decisão confirmada pelo VAR; já no acréscimo, Montes cometeu falta sobre Mudau na entrada da área e recebeu cartão vermelho direto — suspensão que o impedirá de enfrentar a Coreia do Sul na próxima rodada. Ao todo, três expulsões: duas pela África do Sul e uma pelo México.
Fora do campo, dezenas de manifestantes se confrontaram com a polícia nas imediações do Azteca. As reivindicações, centradas pela busca de desaparecidos, lembram que o torneio ocorre em um país marcado por anos de violência ligada ao narcotráfico. Barreiras foram derrubadas e agentes usaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão — um lembrete áspero de que o futebol, por maior que seja seu papel de catarse coletiva, também se realiza em sociedades com feridas abertas.
Do ponto de vista esportivo, o triunfo mexicano inaugura o grupo com autoridade, mas também com questões a resolver — disciplina, temperamento e gerenciamento de importantes ausências por suspensão. Para a África do Sul, a derrota e as expulsões impõem uma reestruturação imediata. A primeira rodada do Grupo A será completada pela partida entre a Coreia do Sul e a República Tcheca, que segue madrugada adentro.
O jogo de hoje reafirma uma leitura mais ampla: o Mundial continua sendo, simultaneamente, espetáculo e palco das inquietações nacionais. O que se vê dentro das quatro linhas nunca está totalmente desconectado daquilo que pulsa nas ruas.