Mundiais 2026: recorde de apostas chega a €43 bilhões com 48 seleções
Macquarie prevê recorde de €43 bilhões em apostas nos Mundiais 2026; expansão para 48 seleções e fusos favoráveis impulsionam o mercado.
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Mundiais 2026: recorde de apostas chega a €43 bilhões com 48 seleções
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A previsão da empresa de serviços financeiros Macquarie de que os Mundiais 2026, coorganizados por Canadá, Estados Unidos e México, gerarão um recorde de €43 bilhões em apostas revela mais do que um dado econômico: sinaliza a transformação do futebol em um mercado de consumo global ainda mais integrado às dinâmicas tecnológicas e regulatórias do século XXI.
O número projetado pela Macquarie supera amplamente os €30 bilhões estimados para a edição de 2022, disputada no Catar. Dois elementos centrais explicam essa diferença: a expansão do torneio de 32 para 48 seleções e o consequente aumento no total de partidas, que saltam de 64 para 104 jogos. Essa dilatação do calendário amplia o leque de apostas e estende o interesse em escala planetária.
Outro fator determinante é a conjugação de horários: muitas partidas serão disputadas em janelas compatíveis com os fusos horários da Europa, da América Latina e da África, ampliando plateias e audiências potenciais. Mas é nos Estados Unidos que se concentra, segundo o relatório, a maior parte do impulso. Hoje, cerca de 65% da população americana está em condição de apostar legalmente em esportes, contra 40% em 2022 — um aumento que altera profundamente o mercado interno e o fluxo de capital para plataformas e operadores.
Esses números convêm ser lidos em duas camadas. Na primeira, econômica, traduzem uma oportunidade para receitas comerciais de clubes, sedes, direitos de transmissão e da própria indústria de apostas. Na segunda, social e institucional, acendem alertas sobre vulnerabilidades: quanto maior a circulação de dinheiro em torno de um evento, maior a exposição a práticas fraudulentas e à necessidade de mecanismos robustos de integridade, prevenção e educação sobre vício em jogo.
Como analista que observa o desporto além do placar, registro que a massificação das apostas não é um fenômeno apenas financeiro — é também cultural. Ela muda a experiência do torcedor, a narrativa jornalística em torno das partidas e a relação entre locais de origem das seleções e mercados consumidores. Estádios, cidades-sede e federações entram em jogo não apenas pela hospitalidade, mas como ativos de uma economia de atenção.
Há, portanto, um papel público a cumprir: regulamentações claras, cooperação transnacional entre autoridades desportivas e reguladores de jogos e um esforço pedagógico para proteger públicos vulneráveis. Ignorar essas exigências pode transformar um recorde de mercado em crise de reputação para o futebol moderno.
Em suma, o número de €43 bilhões não é só uma curiosidade estatística — é um sintoma das transformações do esporte contemporâneo. Resta acompanhar se a infraestrutura institucional acompanhará a velocidade do mercado.