Wimbledon cada vez mais 'azzurro': Cobolli e Paolini avançam aos quartas
Cobolli e Paolini chegam aos quartas de Wimbledon; Sinner encara Struff amanhã. Entenda o significado dos avanços para o tênis italiano.
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Wimbledon cada vez mais 'azzurro': Cobolli e Paolini avançam aos quartas
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — O gramado de Wimbledon segue tingido de azul italiano. Em uma tarde de confirmações e resistência, Flavio Cobolli e Jasmine Paolini garantiram vaga nas quartas de final, sustentando um movimento que vai além de resultados isolados e revela a crescente presença da Itália nos grandes palcos do tênis mundial.
No circuito masculino, o jovem de 2002 e 10º do ranking, Flavio Cobolli — nono cabeça de chave — derrotou o australiano Alex de Minaur (6º no ranking e 5º do seeding) em sets diretos no marcador, mas em uma partida que exigiu resistência física e nervos de aço: 7-5, 7-6 (4), 6-3, em 2h34 de jogo. A vitória consolida Cobolli como uma das soluções ofensivas do tênis italiano, com um estilo que dialoga com a modernidade do circuito e com a tradição de entrega física exigida nas grandes quadras de grama.
Na próxima rodada, Cobolli encontrará o vencedor do confronto entre o búlgaro Grigor Dimitrov e o britânico Arthur Fery — um duelo que aponta para diferentes trajetórias e que pode testar tanto a experiência quanto a adaptação do italiano ao ritmo de partidas cada vez mais intensas.
Do lado feminino, no Court Central do All England Club, Jasmine Paolini — 17ª no ranking e 13ª cabeça de chave — superou a filipina Alex Eala por 6-4, 4-6, 6-3, em 2h22. Foi uma vitória que misturou controle tático e capacidade de responder às oscilações do jogo, aspectos fundamentais em uma superfície onde a margem de erro é reduzida.
A italiana terá pela frente a ucraniana Marta Kostyuk (13ª do ranking e 12ª cabeça de chave), que eliminou a norte-americana Ashlyn Krueger por duplo 6-4. O confronto entre Paolini e Kostyuk mantém a tônica deste torneio: partidas que examinam não só a técnica, mas a inteligência para manejar ritmos e expectativas.
Em seus comentários, Cobolli reconheceu o desgaste: “Me sentia cansado, por isso estou feliz por ter vencido em três sets. É importante ter energia para a próxima rodada. Este ano está muito quente, e agradeço ao público.” Sobre o adversário, acrescentou com leve ironia: “De Minaur? Há muito respeito entre nós. Gosto dele como pessoa e jogador, mas não gosto de jogar contra ele.”
Paolini traçou um retrato honesto do seu ano: “2026 foi difícil, com momentos complicados, mas continuei trabalhando com minha equipe e, jogo a jogo, me sinto melhor. Penso que estou no caminho certo; é importante manter a positividade e aproveitar o tênis.” Ela também destacou o valor simbólico de jogar no central: “Sinto-me sortuda por ter jogado no central e por vencer — e foi emocionante ver Roger aqui; é meu ídolo. Tentei manter a concentração e não pensar que ele estava presente.”
Fora das quadras, a expectativa se desloca para o confronto de amanhã, quando Jannik Sinner enfrenta Jan-Lennard Struff, marcado para as 14h. O contexto competitivo e a sequência de brasileiros e italianos em fases avançadas reafirmam que Wimbledon, além de um torneio, é um mapa cultural onde histórias individuais se entrelaçam com narrativas nacionais.
O avanço de Cobolli e Paolini confirma uma leitura: o tênis italiano, atravessado por novos valores e pela manutenção de critérios de formação, chega a Wimbledon com solidez técnica e maturidade emocional, pronto para disputar não apenas vitórias, mas significado esportivo.