Perathoner: duplo ouro paralímpico e o furto das pranchas em Cortina

Após o duplo ouro em Milano Cortina 2026, Emanuel Perathoner teve duas pranchas de snowboard roubadas durante a cerimônia em Cortina.

Perathoner: duplo ouro paralímpico e o furto das pranchas em Cortina

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Perathoner: duplo ouro paralímpico e o furto das pranchas em Cortina

Emanuel Perathoner viveu, em poucos dias, a síntese extrema da glória e da vulnerabilidade que atravessam o esporte contemporâneo. Após conquistar o duplo ouro paralímpico no snowboard — vencendo o boardercross e o banked slalom em Milano Cortina 2026 — o atleta altoatesino teve duas de suas pranchas de snowboard furtadas em plena cerimônia de premiação em Cortina d'Ampezzo.

O episódio ocorreu na pista de Socrepes, durante a celebração do título no banked slalom. Segundo o próprio Perathoner, as tábuas levadas são modelos Apex (uma cinza e outra preta) equipadas com os raros encaixes Union Atlas Fc. As peças não só têm elevado valor econômico, como representam equipamento de alta especialização — os números de série gravados facilitam a identificação, mas o elemento que torna o caso singular são os ataques em edição limitada: um em tom cinza com lilás, o outro amarelo e preto, do qual existe apenas mais um exemplar conhecido.

Serviços La Via Italia — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

O episódio lança luz sobre duas dimensões que me interessam como analista: a materialidade do esporte de alto rendimento e as redes de significado que cercam um atleta. As pranchas, para Perathoner, não são somente instrumentos de competição; são objetos de memória técnica e investimento profissional — configuram, de certo modo, uma extensão do corpo do competidor. Roubar esse tipo de equipamento é, portanto, uma agressão dupla: financeira e identitária.

Não é a primeira virada dramática na carreira do atleta: depois de competir nos Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver 2010 e Pyeongchang 2018, Perathoner sofreu, em 2021, um grave ferimento no joelho que culminou em prótese total e o levou ao universo paralímpico. A transição, além de física, teve significado simbólico: reafirmou uma narrativa de resiliência que agora enfrenta um episódio de exposição pública e materialidade perdida.

Serviços La Via Italia — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

Perathoner utilizou suas redes sociais para denunciar o furto e pedir colaboração: descreveu detalhadamente as pranchas e os encaixes e solicitou que quem avistar os equipamentos entre em contato. A publicação revela também uma preocupação prática: a dificuldade de repor peças tão específicas num mercado restrito, e a possibilidade de dificultar a preparação para futuras competições.

Há um aspecto institucional que merece ser debatido. Cerimônias de premiação, áreas de transição e espaços onde o equipamento é deixado temporariamente concentram valor e vulnerabilidade — intelectualmente, deveríamos discutir protocolos de segurança mais rígidos sem transformar celebração em fortaleza. O episódio de Cortina é um lembrete das tensões entre espetáculo e proteção.

Enquanto a investigação local procede, permanece o apelo humano de um atleta que devolveu prestígio ao esporte italiano: se alguém tiver informações sobre as pranchas ou sobre os ataques Union Atlas Fc desaparecidos, Perathoner pede contato imediato. Recuperar o equipamento não é apenas um ato logístico, é também restaurar parte do tecido simbólico de sua trajetória.

Serviços La Via Italia — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘