Matteo Arnaldi ressurge em Roma: derrota De Minaur e celebra a rinascita nos Internazionali

Matteo Arnaldi vence Alex De Minaur em Roma e assina uma vitória simbólica: a rinascita do sanremese nos Internazionali di Roma.

Matteo Arnaldi ressurge em Roma: derrota De Minaur e celebra a rinascita nos Internazionali

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Matteo Arnaldi ressurge em Roma: derrota De Minaur e celebra a rinascita nos Internazionali

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em tarde de atmosfera intensa na BNP Paribas Arena, Matteo Arnaldi, 25 anos, de Sanremo, assinou um dos maiores capítulos da sua carreira ao vencer o australiano Alex De Minaur, 8º do mundo, por 4-6, 7-6 (5), 6-4, em quase três horas de confronto nos Internazionali di Roma.

O triunfo, construído na paciência e na resistência mental, tem contornos simbólicos: não se tratou apenas de uma vitória no quadro masculino, mas de uma verdadeira rinascita esportiva. Depois de perder o primeiro set num duelo equilibrado — em que chegou a ter chance de quebrar para voltar ao jogo — Arnaldi manteve concentração e escalou seu nível ponto a ponto, forçando o tie-break e fechando a segunda parcial por 7-5. No terceiro set, a partida virou uma batalha tática: quebra de Arnaldi no sétimo game, resposta imediata de De Minaur, e o break decisivo no nono game que selou a eliminação do australiano, pouco antes da chuva que ameaçava interromper o jogo.

Para quem acompanha a trajetória do tenista italiano, a vitória ganha contornos de recuperação. Figura importante na conquista da Copa Davis de 2023 ao lado de Jannik Sinner, Arnaldi havia alcançado a 30ª posição no ranking ATP em 2024. O ano seguinte, porém, foi marcado por um retrocesso: uma microfratura no sesamoide medial do pé e problemas de tornozelo limitaram sua presença e rendimento. A temporada parecia começar ainda mais difícil — vitórias esparsas e a perda de posição entre os top-100 — até que uma retomada no Challenger de Cagliari, com título e final contra Hubert Hurkacz, reabriu o caminho e culminou na wild card para Roma.

O que se viu na capital italiana não foi só recuperação física, mas também um ajuste mental e tático. Com pés leves sobre a terra rossa, movimentação agressiva nos pontos-chave e resiliência nas trocas longas, Arnaldi traduziu a confiança recente em resultados concretos: antes de De Minaur, já havia superado o espanhol Jaume Munar em três sets. Essas vitórias configuram uma narrativa de volta — pessoal e esportiva — que ultrapassa o resultado isolado e toca a ideia de que o tênis italiano continua a produzir atores capazes de intervir nos palcos europeus mais exigentes.

O próximo obstáculo no caminho de Arnaldi pode ser ainda mais exigente: o jovem espanhol Rafael Jodar, cuja ascensão impressionou em Madrid e já mereceu elogios de nomes como Jannik Sinner. Independentemente do desfecho, a atuação contra De Minaur confirma que o sanremese voltou a ser uma presença de peso, uma combinação de técnica e temperança que tem significado além da quadra: a reconstrução de uma carreira diante de uma cidade e de um público que valorizam a história e o esforço tanto quanto o resultado.

Mais do que uma sequência de games, a vitória em Roma é um retrato da capacidade do esporte de gerar reviravoltas — e daquilo que torna tão pungente a relação entre atleta, cidade e memória coletiva.