Berrettini cai cedo em Marrakech: derrota para Buse complica ainda mais o seu ranking
Berrettini é eliminado na primeira rodada de Marrakech por Ignacio Buse; ranking live em 86º e risco de nova queda. Bellucci brilha; Arnaldi segue em má fase.
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Berrettini cai cedo em Marrakech: derrota para Buse complica ainda mais o seu ranking
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma tarde que confirma mais do que uma derrota isolada, Matteo Berrettini foi eliminado já na primeira rodada do ATP 250 de Marrakech pelo jovem peruano Ignacio Buse, sensação de 2004 que já havia superado o italiano nos quartos do Rio de Janeiro. O placar final — 7-6, 6-7, 6-4 — desenha não apenas um confronto equilibrado, mas um momento de crise esportiva e de identidade competitiva para um jogador que, no passado recente, transitou entre os patamares mais altos do tênis mundial.
A derrota pesa na classificação provisória: Berrettini aparece no ranking live em 86º lugar e corre o risco de acentuar a queda nas semanas seguintes. Mais do que números, o que se vê em Marrakech é a dificuldade de um atleta em se reencontrar no circuito — seja por adaptação à superfície, por ritmo de jogo ou por questões físicas e psicológicas que se manifestam em partidas decididas nos detalhes.
O confronto com Ignacio Buse teve a característica de jogos que testam paciência e alternativas táticas. Berrettini lutou, forçou o terceiro set e teve momentos de recuperação, mas não conseguiu impor um padrão de jogo que neutralizasse a juventude e a movimentação do adversário. Para o público italiano, a eliminação acende o alerta sobre a necessidade de reequacionar calendário, preparação e metas para o restante da temporada na terra batida.
No mesmo torneio em Marrocos, o jovem Federico Cinà também não avançou: foi derrotado em sets diretos pelo francês Alexandre Muller, por 6-2, 6-3. A nota mais positiva para a delegação italiana veio de Mattia Bellucci, que superou o anfitrião Bennani em partida de três sets (6-3, 3-6, 6-4), triunfo que preserva alguma confiança para os próximos compromissos.
Paralelamente, a semana confirma a sequência negativa de Matteo Arnaldi em Budapeste: o qualificando Alex Molčan venceu com autoridade por 6-3, 6-1, e Arnaldi permanece sem vitórias na temporada. O cenário coletivo traça uma imagem preocupante para o tênis italiano masculino: há talentos emergentes, sim, mas também uma carência de resultados consistentes entre os nomes que, até pouco tempo, representavam a estabilidade do país no circuito.
Mais do que resultados isolados, estas partidas — e suas implicações no ranking — convidam a uma reflexão institucional e técnica. Treinadores, equipes médicas e dirigentes terão que interpretar os sinais que vêm da quadra: reconfigurar blocos de preparação, revisar escolhas de calendário e, sobretudo, cuidar da gestão mental de atletas que circulam entre expectativas externas e desafios internos. Para Berrettini, o caminho exige respostas rápidas e ponderadas; para o circuito italiano, exige planejamento de médio prazo.
Data do relato: 31 de março de 2026.