Flavio Cobolli supera o nervosismo, salva um match point e alcança os primeiros quartos de final no Roland Garros
Cobolli supera Svajda, salva match point e alcança os primeiros quartos de final no Roland Garros: tensão, recuperação e possível melhor ranking.
RESUMO ✦
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Flavio Cobolli supera o nervosismo, salva um match point e alcança os primeiros quartos de final no Roland Garros
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma tarde que misturou domínio técnico, tensão quase paralisante e recuperação fria na hora certa, Flavio Cobolli, 24 anos, garantiu sua primeira classificação para os quartos de final do Roland Garros. O jovem italiano venceu o norte-americano Zachary Svajda nos oitavos por quatro sets, impondo à partida uma narrativa que vai além do placar: é uma história de amadurecimento competitivo e de afirmação numa superfície que casa com sua identidade de jogo — a terra batida.
O duelo começou com a segurança esperada por parte de Cobolli: dois sets conquistados com autoridade. A impressão era a de um avanço sem sobressaltos, até que Svajda reagiu com mais agressividade no terceiro set e faturou a parcial, colocando em xeque a continuidade italiana.
No quarto set, Cobolli voltou a acelerar e chegou a abrir 5-1 com duas quebras — parecia o fim da história. Mas o tênis, sobretudo em Slam, pertence às oscilações. Surgiu então um apagão: o italiano perdeu cinco games seguidos, permitiu ao adversário a chance de empatar e viu sua oportunidade de sacar para o jogo esvair-se não uma, mas duas vezes, inclusive cedendo um match point.
Foi nesse momento que o caráter do jovem jogador emergiu. Após recuperar compostura, ele reequilibrou profundidade e velocidade nos golpes, forçou o desempate e, no tie-break, obteve o mini-break decisivo a meio caminho do fim. Cobolli fechou a partida no segundo match point — o primeiro havia sido em saque de Svajda — consumando uma vitória que mistura alívio e merecimento.
“Mi sono cagato sotto” — a frase em italiano que o próprio adotou no pós‑jogo traduz, com brutal sinceridade, o momento de medo que atravessou em quadra. Em entrevista, ele agradeceu ao público de Paris — “este é meu Slam preferido, eu adoro jogar na terra e aqui na França” — e ao seu time de trabalho, reconhecendo que a tensão não foi exclusiva: “alguns do meu staff também sentiram o mesmo”.
Além do valor emocional, o resultado tem implicações práticas. Trata‑se da primeira vez que Cobolli permanece em quadra por mais de três horas num torneio de Grand Slam e também do primeiro set perdido por ele nesta edição, em contraste com as vitórias anteriores, todas por 3-0. Virtualmente, esse avanço o aproxima de um novo melhor ranking — atualmente seu recorde pessoal era o 12º lugar, alcançado há cerca de um mês; com o desempenho em Paris, há a projeção de subir ao 11º posto, dependendo dos próximos desfechos do torneio.
Nos quartos de final, ele esperará o vencedor do confronto entre Félix Auger‑Aliassime e Alejandro Tabilo. Para a narrativa do tênis italiano, a presença de Cobolli entre os oito melhores em Roland Garros reafirma um movimento mais amplo: geração que traduz técnica e temperança, em busca de traduzir potencial em permanência nos estádios europeus.
Se o ranking pode aguardar, o que fica é o sinal mais claro da maturidade competitiva do jogador. Em um Slam sem um dono absoluto, as janelas de oportunidade se multiplicam — e Flavio Cobolli, depois de vacilar, mostrou que sabe aproveitar as brechas.