Sinner desaba em Paris: de favorito a eliminado no Roland Garros após mal-estar em quadra
Sinner desaba no Roland Garros: de favorito a eliminado após mal-estar em quadra; terá pausa até Wimbledon e fará exames para entender o colapso.
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Sinner desaba em Paris: de favorito a eliminado no Roland Garros após mal-estar em quadra
Por Otávio Marchesini — A imagem ficou: rosto tenso, pernas fundas na terra batida, um gigante momentaneamente esvaziado. Jannik Sinner, número 1 do mundo, transformou em pesadelo aquilo que parecia uma caminhada tranquila rumo ao título no Roland Garros. Quando liderava com folga (6-3, 6-2, 5-1), o que parecia uma vitória controlada acabou sendo diluído por um súbito mal-estar físico que já havia aparecido em episódios anteriores da carreira do jovem italiano.
O jogador chamou o fisioterapeuta, deixou a quadra, tentou voltar e honrar a partida — mas voltou como uma sombra do que vinha mostrando. A partida, firmemente nas mãos de Sinner, converteu-se numa lenta agonia: Juan Manuel Cerundolo leu o momento, cresceu em confiança e, em uma virada impressionante, levou o terceiro set por 7-5 e depois fechou os dois últimos por 6-1 e 6-1, consumando a eliminação do favorito.
Não estará mais na lista dos campeões parisienses: o troféu que este ano voltou a ser ligado à memória italiana foi entregue por Adriano Panatta, o último azzurro a vencer em Paris há cinco décadas. A derrota deixa um vácuo simbólico — o único Grand Slam que faltava à sua coleção agora adia-se novamente — e coloca em evidência o lado humano do esporte de alto rendimento.
“Estava sem energias, outras vezes encontro a solução, agora me senti sem saída”, admitiu Sinner, visivelmente abatido. Em outro trecho, descrito com franqueza, ele disse sentir tontura e precisar vomitar antes do atendimento. O episódio ocorreu diante de uma quadra lotada e silenciosa, na qual o público assistiu atônito ao desmoronamento do número 1.
Depois do medical timeout e da ida aos vestiários, a reentrada não trouxe o revigoramento esperado. A cadeira de árbitro registrou as medidas e o cotejo ficou paralisado por sete minutos; ao retornar, Sinner tentou resistir, mas a sequência negativa se confirmou e Cerundolo avançou ao próximo turno. Até então, o italiano não havia perdido em trinta partidas consecutivas, estatística que sublinha o caráter inesperado do revés.
Sobre os próximos passos, o campeão deixou claro que fará uma pausa: nenhum torneio até Wimbledon. “Agora precisamos ver com a equipe qual é a melhor coisa a fazer — tenho que fazer exames para entender o que aconteceu com meu corpo”, explicou. Questionado se o desconforto era semelhante a episódios anteriores, Sinner preferiu cautela: “É difícil dizer. Na minha opinião foi diferente, muitas coisas juntas. Não consegui sair dessa situação; outras vezes encontro soluções. Desta vez não. Não tinha energia.”
Além da leitura estritamente esportiva, o episódio acentua uma dimensão mais ampla: o peso de expectativas sobre jovens líderes do esporte, a relação entre tratamento médico e agenda competitiva e a maneira como a imagem pública de um atleta se condensa em momentos de queda. Para a Itália, é mais um lembrete de que memórias como a de Panatta, 50 anos atrás, permanecem presentes justamente porque são raras e exigem uma soma de forma, sorte e resistência.
A partir de hoje a narrativa de Sinner em Paris muda de ambição para análise: entender as causas, recuperar-se física e mentalmente, e decidir com calma a melhor forma de retorno. O desfecho inesperado no Roland Garros não apaga a trajetória, mas a convoca a uma leitura mais cuidadosa sobre limites e prioridades no tênis moderno.