Acordo sobre o Estreito de Hormuz pode ser fechado hoje; Teerã negocia com Omã, EUA dizem ter progresso

Negociações entre Irã e Omã sobre o Estreito de Hormuz avançam; EUA dizem acordo iminente para garantir liberdade de navegação.

Acordo sobre o Estreito de Hormuz pode ser fechado hoje; Teerã negocia com Omã, EUA dizem ter progresso

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Acordo sobre o Estreito de Hormuz pode ser fechado hoje; Teerã negocia com Omã, EUA dizem ter progresso

Por Marco Severini — Em um movimento que pode redesenhar, ainda que de forma sutil, o tabuleiro geopolítico do Golfo Pérsico, autoridades indicam que um acordo sobre o Estreito de Hormuz pode ser anunciado nas próximas horas. O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessentin, afirmou em entrevista à CNBC que um entendimento para reabrir o estreito e garantir a liberdade de navegação poderia ser alcançado até esta quarta-feira.

Fontes de alto nível da região confirmaram à emissora Al-Arabiya o otimismo norte-americano: contatos intensos e progressos sinalizados apontariam para um anúncio iminente. No entanto, a substância do eventual pacto permanece sustentada por negociações entre o Irã e Omã, segundo representantes iranianos ouvidos pela Reuters e por canais locais.

De acordo com essas fontes, Teerã trata diretamente com Muscat a criação de um corredor que assegure o trânsito seguro das embarcações comerciais pelo Estreito. A proposta prevê que as embarcações que entram no Golfo Pérsico transitem por um corredor próximo às costas iranianas e que a saída ocorra por uma rota que cruze águas territoriais do Omã, com notificações vindas de Muscat sobre o tráfego — além da possibilidade de intervenção caso surgisse necessidade. O aparato negociado visa proteger os interesses soberanos do Irã como Estado ribeirinho, enquanto oferece garantias operacionais ao tráfego marítimo internacional.

Teerã insiste que os diálogos são bilaterais, entre dois Estados costeiros, e não com os Estados Unidos. Uma fonte iraniana citada pela Press TV acusou Washington de repetidas interferências, destinadas mais a construir um resultado político interno do que a facilitar o acordo, afirmando que a influência americana tem sido, em grande parte, negativa e retardadora das conversações. "Um acordo com o Omã sobre Hormuz está ao alcance, desde que os Estados Unidos cessem suas interferências", alertou a fonte.

Enquanto isso, reportagens da imprensa americana mencionam dificuldades logísticas na disponibilidade de mísseis para certas forças, tema sem dúvida sensível à segurança regional; o presidente Donald Trump reagiu minimizando o problema, afirmando que os EUA dispõem de mais armamentos do que necessitam.

O Wall Street Journal trouxe detalhes complementares sobre a oferta em discussão: as mercantes que ingressem no Golfo deveriam fazê-lo por um corrido próximo às costas iranianas, e sair por um canal que atravessaria águas omanenses, sem cobrança de taxas. É uma solução de compromisso — e, como todo acordo de fronteiras marítimas e de segurança, um delicado equilíbrio entre soberania e operabilidade.

Do ponto de vista estratégico, estamos diante de um movimento decisivo no tabuleiro: a arquitetura negociada, se confirmada, representaria um redesenho de fronteiras invisíveis e um arranjo prático que preserva alicerces frágeis da diplomacia regional. Mais do que um simples acordo técnico sobre rotas comerciais, trata-se de uma pactuação sobre autoridade, visibilidade do tráfego e mecanismos de intervenção — elementos centrais para a estabilidade do comércio global e para a tectônica de poder no Golfo.

Seguem-se horas críticas, nas quais a comunicação entre Teerã, Muscat e interlocutores ocidentais será determinante. A confirmação oficial transformará, por um instante, um conjunto de negociações discretas em uma nova peça na cartografia geopolítica do Oriente Médio.