Araghchi: guerra só acabará quando o Irã tiver certeza de que não se repetirá; paz no Líbano depende fim da ocupação israelense
Araghchi afirma que a guerra só terminará quando o Irã tiver garantias de não repetição; paz no Líbano depende do fim da ocupação israelense.
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Araghchi: guerra só acabará quando o Irã tiver certeza de que não se repetirá; paz no Líbano depende fim da ocupação israelense
Por Marco Severini — Em análise sóbria e estratégica, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a atual guerra só será considerada encerrada quando Teerã tiver garantias inequívocas de que o conflito não se repetirá e de que serão pagas as reparações pelos danos. A declaração, com tom deliberado e calculado, desenha um horizonte de paz condicionado a certezas concretas, não a meras tréguas temporárias.
Em contato telefônico com o seu homólogo francês, Jean-Noël Barrot, Araghchi sublinhou que a experiência recente prova a volatilidade de acordos provisórios: segundo ele, Israel e os Estados Unidos interromperam os combates por doze dias, para depois lançar novas ofensivas meses depois. "Esta guerra terminará quando formos certos de que não se repetirá e que serão pagas as reparações. Nós vivemos isso no ano passado: Israel atacou, depois os Estados Unidos… se reorganizaram e nos atacaram novamente", declarou, conforme publicação em sua conta no Telegram.
No mesmo tom de firmeza diplomática, o chanceler iraniano vinculou o retorno da paz no Líbano à cessação da presença israelense no sul do país e ao fim dos ataques contra o território libanês. "A principal fonte de insegurança em toda a região, Líbano incluído, é a agressão e a hegemonia do regime sionista; o retorno da paz no Líbano depende do fim da ocupação e da cessação das agressões por parte desse regime", afirmou Araghchi.
Em outro fio sensível deste tabuleiro geopolítico, o estreito de Hormuz volta a ocupar o centro das atenções. O ex-presidente Donald Trump pediu a militarização do canal estratégico para garantir o trânsito seguro de embarcações, e houve receptividade cautelosa por parte de Londres e Seul a avaliações sobre a proposta. Araghchi advertiu os países aliados para que não agravem o conflito: "Não se imiscuam", disse, numa advertência com sabor de advertência realista e prudente.
O Irã também tratou de dissipar rumores sobre a condição de sua nova liderança. Após o ataque que matou o líder anterior no primeiro dia da guerra, Teerã informou que a nova figura da liderança suprema, Mojtaba Khamenei, está "em boa saúde e em pleno controle da situação".
Araghchi reiterou a disposição do Irã em acolher qualquer iniciativa regional que possa encerrar a guerra de forma justa, mas foi categórico ao apontar que, por enquanto, não há propostas concretas "sobre a mesa". É uma posição que junta prudência estratégica e expectativa por garantias materiais — o alicerce de qualquer paz duradoura.
Em paralelo, persistem tensões retóricas e militares: setores dos Pasdaran prometeram perseguir e eliminar o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enquanto fontes ocidentais assinalam que Estados Unidos rejeitam negociações diretas com Teerã neste momento. A conjunção entre ameaças administrativas e gestos de militarização do comércio marítimo coloca o mundo diante de um risco sistêmico que afeta energia e economia global.
Do ponto de vista estratégico, o pronunciamento de Araghchi configura um movimento de defesa de posição: exigir garantias e reparações é uma tentativa de deslocar o centro de decisão, transformando uma trégua tática em um acordo estruturado. No tabuleiro regional, a paz só surgirá quando os alicerces da diplomacia forem reparados e quando os movimentos de poder forem rearranjados de modo a eliminar — ou ao menos reduzir significativamente — as causas da conflagração.
Marco Severini é analista sênior de geopolítica e estratégia internacional da Espresso Italia.


