Ataque balístico na Ucrânia deixa ao menos 7 mortos; encontro-chave entre Zelensky e Trump em Ancara
Ataques russos com mísseis balísticos deixam ao menos 7 mortos; Zelensky busca apoio em Ancara e se reúne com Trump no cume da OTAN.
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Ataque balístico na Ucrânia deixa ao menos 7 mortos; encontro-chave entre Zelensky e Trump em Ancara
Ancara torna-se hoje o palco de um movimento decisivo no tabuleiro diplomático enquanto novas ondas de fogo atingem a Ucrânia. Em paralelo ao cume anual da OTAN, onde o presidente Volodymyr Zelensky procura apoio reforçado contra a ofensiva do Kremlin, o país sofreu outra noite de ataques russos que deixam, segundo balanço oficial, pelo menos sete mortos e diversos feridos.
O Ministério da Defesa de Moscou reivindicou um ataque combinado contra instalações em Kiev, incluindo a unidade da Samsung-Ukraine que fabrica componentes para mísseis ucranianos do tipo Flamingo e uma oficina dedicada à montagem de drones. As forças russas, de acordo com as autoridades, empregaram dois mísseis Kh-31P e cinco mísseis balísticos Iskander-M; Moscou também mencionou o emprego do sistema S-400.
As Forças Aéreas ucranianas admitiram que sua defesa aérea não conseguiu interceptar nenhum dos mísseis balísticos lançados. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que armazenamentos foram incendiados, um "edifício não residencial" foi atingido e ao menos uma pessoa morreu na capital.
Os impactos foram constatados em várias regiões: na região sul de Mykolaiv uma mãe e uma filha perderam a vida e outras duas pessoas ficaram feridas; em Dnipropetrovsk foram quatro feridos; em Zaporizhzhia duas pessoas feridas; na região de Kharkiv, no nordeste, duas mortes foram registradas; e outras duas na região sul de Kherson. Do lado russo, o governador da região de Saratov relatou uma morte em ataque de drones ucranianos.
Este bombardeio coincide precisamente com o cume da OTAN em Ancara, onde Zelensky tenta extrair de aliados europeus e dos Estados Unidos mais meios para conter a estratégia russa. Em particular, o presidente ucraniano pressiona por reforço das capacidades antimísseis — um tema que ganha contornos de urgência estratégica, dada a nova ênfase do Kremlin no emprego de mísseis balísticos contra centros urbanos.
No conselho OTAN‑Ucrânia à margem do encontro, o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, reiterou a prioridade máxima para a defesa aérea. "A defesa aérea permanece nossa prioridade máxima", afirmou, qualificando a tática de Moscou como um recurso final de "terrorismo balístico". Sybiha sublinhou que o fortalecimento das capacidades antimísseis é o caminho mais eficaz para obrigar a Rússia a sentar-se à mesa de negociações, e pediu entregas rápidas de sistemas e interceptores, sobretudo com o inverno se aproximando.
Nos últimos dias, a vulnerabilidade ucraniana frente a mísseis balísticos ficou ainda mais evidente: na segunda-feira anterior, 29 mísseis balísticos atingiram o território — nenhum teria sido interceptado — causando cerca de trinta mortos. Um ataque ainda mais massivo na quinta-feira precedeu o novo ciclo de ataques, reforçando a percepção de uma mudança tectônica na dinâmica de poder e na geometria do conflito.
Do ponto de vista geopolítico, a fotografia que emerge é a de um redimensionamento das linhas de frente não apenas no solo, mas na arquitetura das capacidades militares e na logística de apoio internacional. O encontro bilateral programado entre Zelensky e o presidente norte-americano Donald Trump, à margem do cume, será lido como um lance de alto risco no grande jogo: busca-se acelerar entregas, calibrar sanções e alinhar respostas para evitar que os alicerces fragilizados da diplomacia desmoronem sob o peso da escalada.
Enquanto Ancara abriga debates estratégicos, em Kiev e nas regiões afetadas a prioridade imediata segue sendo salvar vidas, restaurar infraestrutura crítica e remendar as brechas da defesa aérea. No tabuleiro internacional, cada ato militar e cada decisão política desenham fronteiras invisíveis de influência; o equilíbrio, por ora, permanece frágil.