Ataque russo contra Kiev: mais de 50 mísseis e 700 drones; alerta por uso dos mísseis Oreshnik

Ataque russo a Kiev: mais de 50 mísseis e 700 drones; alerta por mísseis Oreshnik e vítimas em escolas e infraestrutura urbana.

Ataque russo contra Kiev: mais de 50 mísseis e 700 drones; alerta por uso dos mísseis Oreshnik

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Ataque russo contra Kiev: mais de 50 mísseis e 700 drones; alerta por uso dos mísseis Oreshnik

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, por ora violentamente, a geografia da pressão estratégica sobre a capital, Kiev sofreu um amplo ataque na madrugada de 24 de maio de 2026. Explosões foram ouvidas nas primeiras horas por um jornalista da AFP e, em seguida, foi ativado um alerta aéreo em todo o país em razão da ameaça de emprego dos mísseis Oreshnik.

As autoridades ucranianas relataram que a cidade foi alvo de uma ofensiva massiva. O Exército ucraniano emitiu uma ordem direta: “A capital está sob um massivo ataque missilistico inimigo. Permaneçam nos abrigos até o fim do alerta”. A sequência de imagens e relatos inclui a decolagem, a partir de solo russo, de um caça MiG-31 portando mísseis Kinzhal — um sinal claro do propósito estratégico por trás da intensidade do ataque.

As fontes de imprensa ucranianas e independentes dão conta de que, na operação noturna, foram lançados mais de 50 mísseis e mais de 700 drones contra alvos predominantemente na região metropolitana de Kiev, numa das maiores ofensivas russas registradas no último ano. Segundo o Kyiv Independent, edifícios residenciais e infraestruturas essenciais foram atingidos, com incêndios em escolas e danos generalizados em bairros da cidade.

Autoridades locais confirmaram, até o momento, ao menos quatro mortos e 44 feridos, entre eles um bebê com menos de um ano. O prefeito Vitali Klitschko reportou incêndios em escolas no distrito de Shevchenkivsky e descreveu cenas em que entradas de abrigos ficaram bloqueadas por escombros após um raid aéreo.

Em paralelo ao ataque sobre Kiev, circulam vídeos e relatos que indicam um possível impacto de um míssil balístico de médio alcance Oreshnik na cidade de Bila Tserkva, na região de Kiev. Embora autoridades locais e representantes da Força Aérea ucraniana ainda não tenham emitido confirmação oficial detalhada sobre danos e vítimas nesse ponto específico, a hipótese reforça a gravidade do episódio.

Se confirmado, este pode ser o terceiro uso documentado do Oreshnik pela Federação Russa contra alvos ucranianos — após o emprego inicial em 21 de novembro de 2024, em ataque sobre o Dnepr, e um segundo registro em 9 de janeiro de 2026 na região de Lviv. A repetição do recurso a este vetor balístico indica um padrão de evolução tática que visa ampliar o espectro de pressão estratégica e de disrupção civil.

Na noite do ataque, foram informados danos a uma infraestrutura hídrica e a um mercado incendiado, além de dezenas de edifícios residenciais afetados. Escolas foram atingidas e, em ao menos um caso, o segundo andar pegou fogo após impacto direto. Em suma, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro da guerra aérea e de mísseis, cujo efeito é tanto físico quanto psicológico sobre a população e sobre os alicerces frágeis da diplomacia regional.

Como analista de relações internacionais, observo que ataques dessa envergadura não são meros episódios táticos: representam tentativas de recolocar o adversário sob estresse sistêmico, testar defesas e corroer a resiliência urbana. A tectônica de poder em jogo exige resposta calibrada, proteção civil reforçada e leitura estratégica sobre como um ator busca redesenhar fronteiras de influência por meio de demonstrações de capacidade de fogo.

As investigações sobre danos, responsabilidades e danos humanos continuam, e o centro de comando ucraniano permanece em alerta máximo. As linhas de apoio humanitário e os mecanismos de resposta internacional serão determinantes nas próximas horas para mitigar impacto sobre civis e preservar corredores de assistência.