Ben-Gvir humilha ativistas da Flotilha Global Sumud em Ashdod; Itália convoca embaixador de Israel
Vídeo de Ben-Gvir humilha ativistas da Flotilla em Ashdod; Itália convoca embaixador de Israel e exige explicações e desculpas.
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Ben-Gvir humilha ativistas da Flotilha Global Sumud em Ashdod; Itália convoca embaixador de Israel
Por Marco Severini — Um novo capítulo de atrito diplomático entre Itália e Israel desenha-se a partir da divulgação de um vídeo pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que mostra ativistas da Global Sumud Flotilla amarrados, vendados e de joelhos no porto de Ashdod, após seu desembarque. Entre os detidos há diversos cidadãos italianos que navegavam rumo a Gaza depois de terem sido interceptados em alto-mar, nas proximidades de Chipre, enquanto navegavam em águas internacionais.
No registro, amplamente partilhado pelo próprio ministro em sua conta na rede X, vê-se Ben-Gvir caminhar entre os detidos gritando 'Bem-vindos a Israel, nós somos os donos da casa', e instruindo as forças: 'Não se preocupem com os gritos deles'. As imagens mostram uma ativista bradar 'Palestina livre' e, em seguida, ser silenciada e imobilizada por agentes do Shin Bet, antes de ser retirada do local.
O líder de linha dura acompanha o gesto com um comentário triunfante, agitanto uma bandeira israelense e acusando os ativistas de serem 'apoiadores do terrorismo', chegando a solicitar ao premier Benjamin Netanyahu que lhe entregasse os detidos para serem mantidos por longos períodos em prisões de terroristas.
A publicação do vídeo provocou reação imediata em Roma. A primeira-ministra Giorgia Meloni, em declaração conjunta com o ministro das Relações Exteriores Antonio Tajani, qualificou as imagens como 'inaceitáveis' e criticou o tratamento que viola a dignidade humana dos ativistas, pedindo a 'liberação imediata' dos detidos. Tajani anunciou ainda a convocação do embaixador israelense em Roma, Jonathan Peled, à Farnesina.
O incidente também gerou tensão no interior da coalizão governamental israelense. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, condenou o ato, classificando-o como um 'espetáculo vergonhoso' que prejudica deliberadamente a imagem do Estado de Israel e desconsidera esforços profissionais e diplomáticos realizados por outros atores. Em resposta, Ben-Gvir rebateu acusando Sa'ar de leniência e reafirmando que quem se apresenta em águas sob sua vigilância em apoio ao Hamas receberá uma resposta firme.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu procurou calibrar a posição: enquanto sustenta o direito de Israel de impedir que flotilhas consideradas provocativas cheguem a suas águas e à faixa de Gaza, ele também condenou o tratamento infligido aos ativistas, reconhecendo o dano político causado pelas imagens.
Esta crise, embora em superfície pareça focada em um episódio específico, tem ares de movimento decisivo no tabuleiro diplomático. A exibição pública do constrangimento dos detidos funciona como peça de atrito simbólico, afetando alicerces frágeis da diplomacia entre aliados. Para Roma, trata-se de defender cidadãos e norma; para Jerusalém, de afirmar soberania e dissuasão. A tensão ilustra a contínua tectônica de poder que faz da região um espaço onde gestos performativos e legalidade internacional colidem.
Do ponto de vista prático, a convocação do embaixador e o pedido de desculpas formal são os próximos lances previsíveis. Porém, o episódio também deixa um campo aberto para repercussões em foros multilaterais, na cooperação bilateral em segurança e na percepção pública internacional de Israel. Em termos estratégicos, é um lembrete de que, mesmo em operações de segurança, o controle da imagem internacional é uma peça-chave no jogo da política externa.