Bozza di accordo Iran-EUA: Hormuz reaberto em 30 dias, Omã na gestão e retirada de forças militares

Bozza do acordo Irã-EUA prevê reabertura de Hormuz em 30 dias, gestão com Omã, retirada de forças e negociações nucleares ainda em curso.

Bozza di accordo Iran-EUA: Hormuz reaberto em 30 dias, Omã na gestão e retirada de forças militares

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Bozza di accordo Iran-EUA: Hormuz reaberto em 30 dias, Omã na gestão e retirada de forças militares

Por Marco Severini — A divulgação da última bozza do memorando entre Irã e EUA configura um movimento decisivo no tabuleiro diplomático que pode redesenhar frentes estratégicas no Golfo. O documento, tornado público por Teerã, descreve medidas práticas e etapas temporais que, se confirmadas, alterariam a tensão marítima na região.

Segundo o texto, Washington se comprometeria a retirar as forças militares posicionadas nas áreas próximas ao território iraniano e a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos. Em contrapartida, o Irã se comprometeria a restaurar o tráfego comercial no estreito de Hormuz aos níveis pré-conflito no prazo de 30 dias. A gestão do trânsito marítimo seria realizada com o envolvimento direto de Omã, cujo papel aparece como mediador operacional na supervisão do corredor.

O vice-chefe do Conselho Supremo para a Segurança Nacional iraniano, Ali Bagheri, pontuou que as «condições e procedimentos serão completamente diferentes» daqueles vigentes antes do confronto entre Teerã e Washington, sinalizando que não se tratará de um retorno mecânico ao status anterior, mas de um novo arcabouço de segurança e regulação.

Na outra margem do Atlântico, o presidente Donald Trump afirmou que o bloqueio naval norte-americano permanecerá em vigor até a assinatura formal do acordo, ressaltando que «não há pressa». Fontes indicam, no entanto, a possibilidade de um novo ciclo de conversações em Islamabad no dia 5 de junho, com o objetivo de consolidar pontos ainda pendentes.

Entre esses pontos sensíveis estão as questões nucleares, que permanecem em negociação, e o desbloqueio de ativos iranianos congelados. A estratégia de Washington descrita por veículos norte-americanos — resumida na expressão 'No Dust, No Money' — sugere que o levantamento de sanções e a liberação de fundos dependerão de compromissos ligados ao cumprimento.

O documento também prevê, em linha com relatos preliminares, uma tregua inicial de 60 dias e a possível adoção de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU no prazo de 60 dias após a conclusão do acordo definitivo. Teerã deixou claro que não tomará medidas unilaterais sem «verificação concreta e tangível» do cumprimento americano.

Algumas menções no rascunho tocam ainda a temas regionais, como relatos sobre retiradas de forças estrangeiras em distintos teatros, cuja operacionalidade e alcance devem ser clarificados nas próximas rodadas de negociação. Figuras políticas, como o senador Marco Rubio, manifestaram ceticismo sobre a rapidez do processo, enquanto a Casa Branca insiste que o tempo está a seu favor.

Ao analisar o conjunto, verifica-se um redesenho de fronteiras invisíveis: estabelecer rotas seguras no estreito, institucionalizar o papel omani como guardião técnico e obter garantias internacionais equivalem a mover peças para criar estabilidade sem sacrificar projeção de poder. A tectônica de poder no Golfo exige agora alicerces jurídicos e operacionais sólidos para evitar que o equilíbrio volte a ruir.

Resta saber se o esboço evoluirá para um acordo final na data proposta ou se as divergências sobre verificações, ativos e garantias estenderão o processo. A próxima janela de conversas, e a eventual validação pela ONU, serão o verdadeiro teste de viabilidade política do arranjo.