Rumen Radev vence eleição na Bulgária com quase 39% e coloca o país em nova fase de instabilidade controlada
Radev vence na Bulgária com quase 39%; vitória clara, mas sem maioria. Possível governo de minoria com apoio do Partido Socialista.
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Rumen Radev vence eleição na Bulgária com quase 39% e coloca o país em nova fase de instabilidade controlada
Rumen Radev, figura filo-russa e de perfil euroscético, emergiu como vencedor das eleições parlamentares na Bulgária, alcançando entre 37,5% e 39,2% dos votos segundo os primeiros exit polls divulgados pelas agências Alpha Research e Trend. Trata‑se de uma vitória inequívoca no tabuleiro eleitoral, mas insuficiente para governar sem aliados — um movimento decisivo que redesenha, de modo contido, a tectônica de poder em Sófia.
O partido criado por Radev após sua renúncia à Presidência em janeiro, Bulgária Progressista, capitalizou o desgaste das formações tradicionais, prometendo combate à corrupção e medidas contra a escalada dos preços num país que permanece o mais pobre da União Europeia. Ex‑general e com discurso anti‑establishment, Radev atraiu um eleitorado cansado de sucessões breves de governos — a Bulgária teve sete primeiros‑ministros nos últimos cinco anos — e transformou a frustração social em coesão eleitoral.
Na segunda posição, com cerca de 16% dos votos, aparece o conservador GERB, liderado pelo ex‑primeiro‑ministro Boyko Borisov. A coalizão liberal‑europeísta Continuamos a Mudança‑Bulgária Democrática (PP‑DB) figura com aproximadamente 14,3%. O partido DPS‑Novo Início, ligado a um homem de negócios sancionado por EUA e Reino Unido, ronda os 9%. O movimento ultranacionalista e também filo‑russo Ressurreição entra no parlamento com até 5%, uma queda sensível em relação ao 13% obtido nas eleições anteriores de outubro, refletindo um deslocamento de parte de seu eleitorado em favor de Radev. O Partido Socialista (BSP), sucessor do antigo partido comunista, alcançaria cerca de 4,2%.
Segundo projeções, se o patamar de 39% for confirmado, Radev poderia obter até 111 assentos no Parlamento de 240 cadeiras. Com o apoio do Partido Socialista, que poderia somar até 11 assentos, abrir‑se‑ia a possibilidade de uma maioria funcional ou, mais provavelmente, de um governo de minoria sustentado por acordos pontuais. "Estamos prontos a avaliar diferentes opções para garantir um governo estável e regular na Bulgária. Faremos tudo para evitar novas eleições", declarou Radev após o encerramento das votações.
Na perspectiva estratégica, trata‑se de um cenário típico de xadrez onde o líder vencedor tem a iniciativa, mas carece de peças suficientes para dar o mate. A alternativa provável é um governo de minoria ou um pacto parlamentar pragmático com o BSP — um arranjo que uniria forças críticas ao alinhamento ocidental mais ativo em questões referentes à Ucrânia, ao mesmo tempo em que manteria como prioridade a agenda interna de combate à corrupção e à pobreza.
Historicamente, a trajetória de Radev, que contou com o apoio indireto dos socialistas em sua candidatura presidencial anterior, e suas conexões com figuras como Krum Zarkov — ex‑colaborador próximo e conselheiro legal — tornam plausível uma cooperação tática entre as forças de centro‑esquerda e o novo movimento progressista. O desafio será traduzir capital eleitoral em estabilidade governamental num Parlamento fragmentado, preservando os alicerces frágeis da diplomacia externa e as relações com a União Europeia.
Como analista, observo que a Europa e os atores regionais deverão recalibrar suas expectativas: a vitória de Radev altera o equilíbrio, mas não liquida o pluralismo parlamentar. Nos próximos dias, as negociações serão o campo onde se decidirá se a Bulgária seguirá uma rota de cooperação cautelosa ou de reorientações mais nítidas na sua política externa e econômica.
Marco Severini — Espresso Italia