Colômbia: De la Espriella e Cepeda avançam ao segundo turno em clima de contestação e tensão
De la Espriella e Iván Cepeda avançam ao segundo turno na Colômbia; contestações sobre contagem e censo eleitoral elevam tensão política.
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Colômbia: De la Espriella e Cepeda avançam ao segundo turno em clima de contestação e tensão
Por Marco Severini — No tabuleiro eleitoral colombiano, emergem como adversários para o segundo turno marcado para 21 de junho o candidato de perfil trumpiano Abelardo de la Espriella e o progressista Iván Cepeda. O resultado do primeiro turno, anunciado como parcial e em processo de validação judicial, apresentou números que mudam o desenho da tectônica de poder na Colômbia.
Segundo os dados divulgados, De la Espriella foi a surpresa da noite, obtendo 9.515.558 votos, equivalentes a 43,63% do total. Na esteira, Cepeda somou 8.977.429 votos (41,17%). Na terceira posição permaneceu a senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático uribista, com 1.492.468 votos (6,84%) — um desempenho sensivelmente inferior ao projetado pelas pesquisas e bem distante dos 3,2 milhões que ela havia alcançado em março nas primárias de centro-direita.
No ranking subsequente, consolidaram-se Sergio Fajardo, do movimento de centro Dignidade e Compromisso, com 911.611 votos (4,18%), e a ex-prefeita de Bogotá Claudia López, com 205.546 votos (0,94%). Esses números redesenham, ainda que provisoriamente, alianças e capacidades de mobilização para a etapa definitiva.
Porém, a conclusão aritmética não encerra o confronto político: o presidente em fim de mandato, Gustavo Petro, recusou-se a aceitar os resultados preliminares anunciados, condicionando sua aceitação aos números oficiais das cortes de justiça. Petro afirmou, com ênfase institucional, que o chamado pré-contagem divulgado por uma empresa privada ligada aos irmãos Bautista não tem força vinculante, alegando que o algoritmo de apuração teria sido alterado por três vezes na última semana e que teria incluído 800.000 eleitores inexistentes no censo oficial.
Na mesma linha, Cepeda relatou suspeitas sobre discrepâncias no censo eleitoral — referindo-se a cerca de 850.000 eleitores — e solicitou a verificação rigorosa de mesas em que teriam ocorrido "votos atípicos". "Somente quando as comissões de apuração presididas por juízes esclarecerem completamente a questão nos pronunciaremos sobre os resultados", declarou o candidato progressista, sublinhando a necessidade de escrutínio técnico-jurídico.
Do outro lado do tabuleiro, De la Espriella proclamou a vitória do bloco que diz representar "os defensores da pátria", atacando Petro e, segundo seu discurso, o campo progressista. O candidato afirmou que o povo já teria dado seu veredicto e que está "pronto para a batalha final" no segundo turno — expressão que potencia o clima de polarização.
Estamos diante de um momento decisivo: o pleito avançou da fase de manobras estratégicas para a de execução tática, com os alicerces eleitorais sendo simultaneamente contestados nas arenas judiciais e na opinião pública. A próxima etapa exigirá, além de capacidade de mobilização, a solidez institucional para dirimir controvérsias e preservar a estabilidade da transição democrática. Como em uma partida de xadrez, cada movimento será medido não apenas por sua eficácia imediata, mas por seu impacto na configuração das peças e na sustentação das regras do jogo.
Atualizaremos este relatório à medida que as comissões de apuração e os tribunais eleitorais emitirem resultados definitivos.