Colômbia vai às urnas: confronto entre a continuidade de Petro e a ofensiva da extrema-direita
Colômbia vota entre a continuidade social de Petro, com Iván Cepeda, e a ofensiva punitiva da extrema-direita de Abelardo de la Espriella.
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Colômbia vai às urnas: confronto entre a continuidade de Petro e a ofensiva da extrema-direita
Marco Severini para Espresso Italia — Abriram-se hoje as urnas na Colômbia para uma eleição presidencial que representa, no sentido mais literal, um movimento decisivo no tabuleiro político da América Latina. Os eleitores decidem se renovam a confiança na linha de governo inaugurada por Gustavo Petro — aqui representada pelo senador de 63 anos Iván Cepeda — ou se optam por deslocar o país para a direita com a escolha do advogado milionário de 47 anos Abelardo de la Espriella, conhecido como "El Tigre".
O pleito é o retrato de uma tectônica de poder: de um lado, a tentativa de consolidar as reformas sociais que reduziram a pobreza monetária, a fome e o desemprego entre os estratos mais vulneráveis; do outro, uma plataforma anti-establishment, marcada por retórica punitiva, simbolizada pelo cumprimento do saúdo militar de De la Espriella e por promessas extremas como "morte ou cárcere" para narcotraficantes.
A direita também tem outra figura relevante: a senadora Paloma Valencia, apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que figura em terceiro lugar nas projeções. A autoridade eleitoral colombiana espera divulgar resultados nas horas seguintes ao fechamento das seções e trabalha para reduzir uma abstenção que historicamente ultrapassa 40%. Para garantir a ordem pública, o governo mobilizou 408.000 membros das forças de segurança — uma disposição que revela a fragilidade dos alicerces da estabilidade interna.
A campanha se desenrolou em clima de polarização e medo: ataques sangrentos de guerrilhas, o assassinato de um candidato e a recusa dos principais postulantes em participar de debates públicos. No centro desse duelo está Petro, cuja eleição anterior representou uma ruptura com um século de predomínio das elites conservadoras. Ele deixa o cargo com alta taxa de aprovação entre as classes mais pobres, reflexo das políticas públicas que ampliaram programas sociais.
O candidato da continuidade, Iván Cepeda, carrega uma trajetória forjada no exílio e na resistência — filho de um político comunista assassinado, cresceu em países como Checoslováquia, Bulgária e Cuba. Filósofo e defensor dos direitos humanos, Cepeda concentra sua retórica na inclusão: vítimas do conflito, populações indígenas e camponeses seriam o foco de um eventual novo governo. "Superar definitivamente a pobreza e por fim à desigualdade social será a prioridade do nosso segundo governo", declarou.
Os opositores criticam Petro e seus aliados por terem sido arquitetos, segundo eles, da política denominada "Paz Total", uma tentativa de negociação com grupos armados remanescentes do pós-acordo de 2016 com as FARC que não se consolidou. Já De la Espriella se apresenta como resposta dura à insegurança: reforço das forças de segurança, abolição do tribunal instituído pelo acordo de paz e propostas radicais como a construção de dez mega-prisões e a redução em 40% do tamanho do Estado. Admirador de figuras como Donald Trump e Javier Milei, ele proclama: "Estou aqui para que a esquerda nunca mais volte ao poder".
Do ponto de vista estratégico, a eleição desenha-se como um lance que poderá redesenhar fronteiras invisíveis da influência regional: a persistência das reformas socais pode consolidar um eixo progressista moderado, enquanto uma vitória da extrema-direita sinalizaria um endurecimento nas políticas de segurança e um retrocesso nas negociações de paz. Em ambos os cenários, a Colômbia permanece um tabuleiro onde interesses internos e externos se confrontam, e onde a estabilidade dependerá da capacidade das instituições de absorver choques e mediar conflitos.
Os próximos dias serão cruciais: a publicação dos primeiros resultados, o comportamento da abstenção e a conduta das forças de segurança definirão se o país seguirá um caminho de continuidade reformista ou se iniciará um acelerado reposicionamento ideológico. A diplomacia regional e os mercados observam cautelosos, como jogadores atentos a uma partida cujas consequências extrapolam fronteiras.