Dua Lipa processa Samsung nos EUA por uso não autorizado da imagem; pede US$ 15 milhões

Dua Lipa processa Samsung nos EUA por uso não autorizado da imagem em embalagens de TV; pede US$ 15 milhões e exige responsabilização.

Dua Lipa processa Samsung nos EUA por uso não autorizado da imagem; pede US$ 15 milhões

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Dua Lipa processa Samsung nos EUA por uso não autorizado da imagem; pede US$ 15 milhões

Por Marco Severini — Em mais um movimento que redesenha uma pequena frente no tabuleiro da imagem pública, a cantora britânica Dua Lipa protocolou uma ação judicial contra a gigante sul-coreana Samsung em um tribunal federal de Los Angeles, alegando uso indevido de sua imagem na embalagem de televisores comercializados nos Estados Unidos. Segundo o documento, visto pela AFP, a artista pleiteia pelo menos 15 milhões de dólares em indenização.

O núcleo do litígio é uma fotografia capturada nos bastidores do festival Austin City Limits, onde Dua Lipa se apresentou em 2024. De acordo com os advogados da cantora — reconhecida mundialmente por sucessos como "Levitating" e "Don't Start Now" — a Samsung nunca solicitou autorização para utilizar a imagem em questão, que passou a estampar o cartão de papelão das embalagens das TVs.

Os causídicos relatam que, já em junho de 2025, a equipe da artista exigiu formalmente que a Samsung cessasse o uso facial da fotografia nas embalagens. A solicitação, afirmam os autos, restou infrutífera: os produtos continuam sendo vendidos no mercado norte-americano com o mesmo packaging que exibe a imagem contestada.

Em resposta à AFP, a Samsung declarou que a foto teria sido fornecida por um provedor de conteúdos para seu serviço gratuito de streaming, o Samsung TV Plus, com a garantia de que as autorizações necessárias haviam sido obtidas. A empresa nega ação consciente e se disse aberta a um "diálogo construtivo" com a equipe da artista.

Entre os elementos que pesam na narrativa de Dua Lipa estão postagens de fãs nas redes sociais que, segundo o processo, teriam afirmado ter adquirido televisores da Samsung em razão da presença da fotografia da cantora na embalagem. Os advogados enfatizam que a artista, cujo legado e imagem pública são geridos com rigor, é seletiva em suas parcerias comerciais e costuma associar-se a marcas premium e cuidadosamente escolhidas. Nesse sentido, asseguram que, mesmo se tivesse sido consultada, a cantora "não teria desejado vincular seu nome e imagem aos produtos aqui questionados".

Do ponto de vista estratégico, a disputa ilustra como ativos intangíveis — rostos, reputações, símbolos — tornaram-se peças centrais na tessitura comercial e jurídica global. A ação é, em essência, um movimento defensivo sobre o controle de um recurso que, no tabuleiro contemporâneo, pode influenciar decisões de consumo e afetar alicerces frágeis da diplomacia de marcas.

Enquanto o processo avança, permanece a pergunta sobre cadeias de responsabilidade: até que ponto fornecedores e plataformas de distribuição são responsáveis por garantir direitos de imagem, e qual será a interpretação dos tribunais americanos diante dessa tensão entre uso comercial e autorização individual? A resposta terá implicações para celebridades, conglomerados de tecnologia e os fornecedores que operam nas bordas desse marco regulatório.

Assinado, Marco Severini