Rumores: EUA teriam usado IA da Anthropic e Palantir em raids contra o Irã; ferramentas testadas em Gaza geram crise ética
Rumores dizem que EUA teriam usado IA da Anthropic e Palantir em raids ao Irã; ferramentas testadas em Gaza levantam sérias questões éticas e geopolíticas.
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Rumores: EUA teriam usado IA da Anthropic e Palantir em raids contra o Irã; ferramentas testadas em Gaza geram crise ética
Por Marco Severini — Espresso Italia, 19 de março de 2026
Fontes próximas ao Pentágono e reportagens internacionais sugerem que os Estados Unidos recorreram, em escala significativa, a sistemas de inteligência artificial para programar e direcionar raids contra o Irã no atual teatro de conflito que envolve Washington e Tel Aviv. Entre as ferramentas citadas estão o programa Claude, desenvolvido pela Anthropic, e — segundo rumores ainda não confirmados de forma oficial — componentes do chamado Project Maven vinculados à Palantir.
Essas alegações renovam uma antiga e delicada questão: até que ponto a automação algorítmica pode assumir papéis decisórios na seleção de alvos militares? Fontes próximas aos circuitos de defesa relatam que modelos de linguagem e plataformas de análise de dados vêm sendo integrados para cruzar grandes volumes de informação — imagens de satélites, sinais de rastreamento de aeronaves, interceptações e outras fontes de inteligência — com o objetivo de reduzir tempos de decisão e aprimorar a acurácia operacional.
De acordo com as mesmas fontes, a combinação entre os modelos linguísticos da Anthropic e as plataformas de análise de dados atribuídas à Palantir permitiria isolar padrões, classificar comportamentos e eventualmente identificar alvos específicos — às vezes, até um único veículo num estacionamento — e sugerir meios para sua neutralização. Trata-se de um passo que, no tabuleiro estratégico, equivale a deslocar peças com velocidade antes inimaginável, mas também a fragilizar os alicerces morais e jurídicos da diplomacia.
Outro ponto sensível mencionado nos rumores é a alegada utilização e desenvolvimento dessas tecnologias em operações de vigilância em Gaza. Diversas vozes críticas atribuem às plataformas de dados um papel direto na seleção de alvos que, segundo algumas contagens e denúncias, teria contribuído para a morte de mais de 72 mil palestinos. Essas afirmações, controversas e politizadas, são citadas por opositores das empresas e por organizações de direitos humanos como exemplo de como a tecnologia pode ser instrumentalizada em zonas de conflito.
Do ponto de vista técnico, sistemas baseados em IA expandem a capacidade de processamento e correlação de dados em tempo real; do ponto de vista geopolítico, eles reconfiguram fronteiras invisíveis: quem programa o modelo influencia a percepção do campo de batalha. É um movimento decisivo no tabuleiro, em que o vencedor aparente pode ver sua legitimidade erodida por questionamentos éticos e legais.
Analistas que acompanham a integração entre Silicon Valley e os aparatos de defesa norte-americanos destacam um dilema crescente: por um lado, a promessa de reduzir danos colaterais com decisões mais precisas; por outro, o risco de desresponsabilização humana, quando algoritmos e pipelines de dados passam a indicar ações que são depois executadas por atores convencionais.
Até o momento, nem a Anthropic nem a Palantir emitiram declarações públicas que confirmem especificamente a participação de seus produtos nos ataques relatados ao Irã. O Pentágono também não divulgou confirmação oficial sobre o uso combinado dessas plataformas nos episódios mencionados. Permanecem, portanto, como rumores de alta gravidade estratégica, cuja verificação e transparência são imperativas para a estabilidade das relações internacionais.
Enquanto isso, o mundo assiste a uma lenta tectônica de poder: o avanço das tecnologias altera as regras do engajamento e exige que a arquitetura normativa da guerra — tratados, procedimentos de autorização e escrutínio público — se adapte com celeridade. Sem esse ajuste, corremos o risco de transformar a guerra do algoritmo numa nova zona cinzenta, onde a eficiência operacional suplanta a responsabilidade política.
Em suma, a suposta utilização de sistemas da Anthropic e da Palantir em operações contra o Irã, e o histórico de testes em Gaza, compõem um quadro que demanda investigação rigorosa, prestação de contas e uma reflexão estratégica sobre os alicerces éticos que sustentam o emprego da tecnologia militar.


