Executada a condenação à morte de Chadwick Scott Willacy na Flórida pelo assassinato de Marlys Sather
Executada a pena de morte de Chadwick Scott Willacy na Flórida pelo assassinato de Marlys Sather; o caso, de 1990, encerra décadas de recursos legais.
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Executada a condenação à morte de Chadwick Scott Willacy na Flórida pelo assassinato de Marlys Sather
Por Marco Severini — Em um movimento definitivo no tabuleiro da justiça criminal da Flórida, foi executada a condenação à morte de Chadwick Scott Willacy, 58 anos, condenado pelo assassinato brutal de sua vizinha, Marlys Sather, em 1990. Willacy recebeu uma injeção letal composta por três fármacos e foi declarado morto às 18h15 locais no penitenciário estadual da Flórida, próximo a Starke.
O caso remete a 5 de setembro de 1990, quando Sather, então com 56 anos, retornou à sua casa em Palm Bay durante uma pausa do trabalho e encontrou Willacy no ato de furto. Os registros judiciais descrevem uma sequência de violência extrema: ela foi atingida na cabeça com um objeto contundente, sofrendo fratura craniana; teve mãos e pés atados com fio metálico e fita adesiva; sofreu tentativa de estrangulamento com cabo telefônico; e — após a tentativa de estrangulamento falhar — foi coberta com gasolina e incendiada. A autópsia concluiu que a causa da morte foi inalação de fumaça, indicando que a vítima ainda estava viva quando foi incendiada. Willacy também subtraiu o automóvel da vítima e utilizou seu cartão para saques.
Condenado por homicídio em primeiro grau, furto com arrombamento, roubo e incêndio doloso, Willacy recebeu a pena capital em 1991, por recomendação do júri com voto de 9 a 3. Após revisão e um novo despacho em 1995, a pena de morte foi mantida. Ontem, a Suprema Corte dos Estados Unidos recusou sem comentários o último recurso interposto pela defesa, abrindo caminho para a execução.
Antes da aplicação da pena, Willacy pediu desculpas à família e aos amigos, afirmou sua inocência e instou os “irmãos no corredor da morte” a manterem-se fortes. Ainda assim, disse esperar que a medida trouxesse paz à família de Sather. Em nota, os parentes da vítima afirmaram ter aguardado 36 anos e meio por justiça e ressaltaram as múltiplas facetas da memória de Marlys Mae Sather — filha, esposa, mãe de três, avó e bisavó — lembrando também que ela havia perdido o marido para um tumor poucas semanas antes do crime.
Esta foi a quinta execução na Flórida em 2026, em continuidade a um ciclo de ativa utilização da pena capital no Estado — que registrou 19 execuções no ano anterior. Em âmbito nacional, 47 pessoas foram executadas nos Estados Unidos em 2025. A dinâmica de mandados de execução assinados pelo governador intensifica a tectônica de poder entre governos estaduais e as frentes legais que cercam a pena de morte; estados como Alabama, Carolina do Sul e Texas mantêm igualmente posturas ativas nesse campo.
Do ponto de vista estratégico, o caso exemplifica como decisões judiciais de alta gravidade se traduzem em movimentos permanentes no tabuleiro político e judiciário dos Estados — alicerces frágeis da diplomacia interna que repercutem em debates sobre justiça, prevenção do crime e autoridade executiva. A execução de Willacy encerra um capítulo judicial que atravessou décadas, mas mantém vivas questões essenciais sobre a aplicabilidade e os custos sociais da pena capital em uma nação marcada por profundas diferenças regionais em matéria penal.