FBI abre investigação sobre morte e desaparecimento de 11 cientistas nos EUA: análise estratégica
FBI investiga 11 mortes e desaparecimentos de cientistas nos EUA; casos envolvem Caltech, JPL, MIT e apuração federal para identificar possíveis ligações.
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FBI abre investigação sobre morte e desaparecimento de 11 cientistas nos EUA: análise estratégica
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, ao menos nas percepções públicas, um trecho sensível do tabuleiro de influências científicas, o FBI declarou estar à frente de uma investigação para verificar possíveis conexões entre a morte e o desaparecimento de onze cientistas nos últimos anos nos Estados Unidos. A apuração pretende entender se há um padrão entre casos que envolvem pesquisadores de laboratórios nucleares e de tecnologia espacial.
Em comunicado oficial, o FBI afirmou estar liderando “o esforço para buscar ligações” entre os episódios. Estão integrados à investigação o Departamento de Energia, o Departamento de Defesa e autoridades policiais estaduais e locais. Até o momento, não foram estabelecidos vínculos evidentes entre os eventos; contudo, a sucessão de ocorrências vem alimentando hipóteses e conjecturas nas redes sociais, que chegaram até a Casa Branca. O presidente Donald Trump classificou a situação como “uma questão bastante séria” e declarou esperar que se trate de coincidências.
Dois agrupamentos de casos merecem atenção por sua concentração geográfica e por envolver instituições de ponta. Na contagem da condado de Los Angeles, registram-se quatro casos: o astrofísico Carl Grillmair, do Infrared Processing and Analysis Center do Caltech, que faleceu em fevereiro aos 67 anos; e três profissionais ligados ao Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA — Michael David Hicks, Frank Maiwald e Monica Jacinto Reza. Hicks e Maiwald morreram, respectivamente, em 2023 e 2024; Monica Jacinto Reza foi reportada como desaparecida em junho de 2025, durante uma trilha em área florestal de Los Angeles.
Outro caso de repercussão envolve o general reformado William Neil McCasland, 68 anos, antigo condutor de pesquisas aerospaciais no Pentágono e ex-diretor do Air Force Research Laboratory, visto por último no final de fevereiro em sua residência em Albuquerque, Novo México. Há, ainda, o episódio do cientista Jason Thomas, então diretor na Novartis, desaparecido em dezembro no estado de Massachusetts e cujo corpo foi localizado apenas três meses depois; a polícia local não encontrou, à época, indícios de crime.
Sob nova análise do FBI também estão a morte de Amy Eskridge, ocorrida em junho de 2022 no Alabama por ferimento de arma de fogo autoinfligido — a pesquisadora, vinculada ao Institute for Exotic Science, havia divulgado alertas sobre supostas tentativas de “guerra psicológica" para obstruir suas pesquisas em antigravidade — e o homicídio do cientista português Nuno Loureiro, assassinado por tiros em sua residência em Massachusetts pelo autor do ataque à Brown University em 13 de dezembro de 2025. Loureiro era diretor do Center for Plasma Science and Fusion do MIT e referência global em fusão nuclear e reconexão magnética.
Completa-se a lista com as desaparecimentos de Melissa Casias, Anthony Chavez e Steven Garcia, cujas circunstâncias ainda são objeto de apuração. As autoridades reiteram que, até agora, não há evidências públicas de que os casos constituam uma campanha coordenada; porém, a própria abertura de inquérito federal sinaliza a gravidade e o potencial impacto geopolítico caso vínculos sejam confirmados.
Do ponto de vista estratégico, a situação exige um balanço entre a preservação da segurança nacional e a cautela para não transformar coincidências trágicas em narrativa de ruptura dos alicerces da ciência. Como em um lance decisivo no xadrez diplomático, cada descoberta pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência tecnológica: tanto para salvaguardar programas sensíveis quanto para evitar escaladas na retórica internacional. O desfecho desta investigação terá consequências não apenas para famílias e instituições, mas para a estabilidade da tectônica de poder que sustenta a liderança científica norte-americana.
Enquanto as investigações prosseguem, cabe aos órgãos competentes manter transparência proporcional e focada — e à comunidade internacional observar com atenção: no tabuleiro da ciência e da segurança, movimentos aparentemente isolados podem revelar um padrão estratégico mais amplo.