Kiev sob fogo: hospital pediátrico atingido e investida anticorrupção abala Sense Bank
Ataque russo atinge Kiev e hospital pediátrico; investigação 'Forrest Gump' afasta dirigente do Sense Bank e revela esquema de lavagem.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Kiev sob fogo: hospital pediátrico atingido e investida anticorrupção abala Sense Bank
Por Marco Severini — Em uma sequência de ataques noturnos que desenham, no tabuleiro da guerra, um movimento de pressão sobre a capital ucraniana, a cidade de Kiev sofreu múltiplas explosões provocadas por ondas de mísseis lançadas de diferentes regiões russas. Autoridades locais e militares confirmaram impacto de pelo menos quinze projéteis nos primeiros vinte minutos da ofensiva.
O prefeito Vitali Klitschko comunicou via canais oficiais que um hospital pediátrico no distrito de Solomensky foi atingido: vidraças estilhaçadas e um incêndio deflagrado no interior da estrutura. A unidade, concebida para proteger os vulneráveis, viu seus alicerces materiais abalados por um ataque que atinge também o tecido simbólico da cidade.
Além do hospital, um prédio residencial de cinco andares no mesmo bairro registrou danos significativos. As equipes de emergência trabalham para confirmar se há feridos e há relatos iniciais de pessoas presas em um abrigo subterrâneo. A Força Aérea ucraniana confirmou a operação hostil; o prefeito reiterou o apelo à população: permaneçam nos abrigos.
Os relatos de imprensa ucraniana destacam que, entre os vetores empregados, constam mísseis balísticos e sistemas hipersônicos, uma combinação destinada a criar uma janela de pressão tática e psicológica. Em termos de estratégia, é um movimento de ruptura: saturar defesas e forçar deslocamentos, testando tanto a resistência civil quanto as respostas das defesas antiaéreas.
No mesmo dia em que as sirenes soaram sobre Kiev, o tabuleiro político interno também sofreu um sacode de relevância: o governo ucraniano afastou Mykola Hladyshenko da presidência do conselho de vigilância do Sense Bank, no âmbito da operação anticorrupção denominada 'Forrest Gump'. Hladyshenko já havia sido suspenso em maio.
O primeiro‑ministro Serhii Koretskyi anunciou a medida pelo Telegram, lembrando que a confiança é central para qualquer banco estatal. Em paralelo, a instituição confirmou inspeções em sua sede por parte das forças de ordem.
O Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO) descreveram a operação 'Forrest Gump' como direcionada a uma suposta organização criminosa que envolveria um parlamentar em exercício, um ex-parlamentar e altos funcionários do escritório presidencial. Segundo as agências, o esquema teria servido para lavar cerca de 150 milhões de hryvnias (aproximadamente 3,3 milhões de dólares) por meio de um banco estatal, recursos que teriam sido utilizados para pagar a fiança de um investigado no caso anterior 'Midas'.
O caso 'Midas' fora uma peça que desestabilizou o alto escalão – levando, por exemplo, à renúncia do ex-chefe do gabinete presidencial Andrii Yermak. As autoridades apontam que a caução, supostamente desembolsada no fim de junho, beneficiou o ex-ministro da Energia, Herman Halushchenko.
Em suma, a capital ucraniana enfrentou, em 24 horas, a conjunção de uma pressão militar acentuada e de um movimento de limpeza institucional que toca as estruturas financeiras do Estado. Para o observador de relações internacionais, trata‑se de um redesenho de frentes: no terreno, um eixo de influência que busca desorganizar; no plano interno, uma tentativa de recompor a confiança pública e restaurar os alicerces — ambos movimentos com implicações estratégicas profundas.
Enquanto as equipes trabalham para socorrer os atingidos e as instituições processam as evidências apresentadas pelos órgãos anticorrupção, a tensão permanece. O desenrolar das duas frentes, militar e judicial, definirá próximas jogadas na tectônica de poder que continua a remodelar a Ucrânia.

