Cavo Dragone: Rússia é a «ameaça mais direta e persistente»; NATO reforça defesa antidrone
Cavo Dragone alerta que a Rússia é a ameaça mais direta; NATO reforça defesa antidrone e pede investimento contínuo em segurança coletiva.
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Cavo Dragone: Rússia é a «ameaça mais direta e persistente»; NATO reforça defesa antidrone
Por Marco Severini — Em uma avaliação sóbria sobre a tensão euro-atlântica, o almirante Giuseppe Cavo Dragone, presidente do Comitê Militar da NATO, sublinha que as atuais dinâmicas de conflito exigem adaptações estratégicas contínuas. Em entrevista ao Il Resto del Carlino, Cavo Dragone afirmou que “os conflitos evoluem rapidamente e requerem adaptação constante”.
O almirante destacou o uso intensivo e inovador de drones como fator que torna imprescindível o desenvolvimento de sistemas eficazes de contramedidas antidrone. “Estamos aprendendo com a experiência ucraniana”, disse, ressaltando o papel do centro aliado Jatec, na Polônia, dedicado a integrar capacidades de counter-drone nas forças da Aliança, com o objetivo de aumentar prontidão e resiliência operacional.
Questionado sobre a expressão frequentemente usada — que hoje não estamos em guerra, mas também não em paz —, Cavo Dragone explicou que isso decorre do caráter mutável das ameaças. “As ameaças não têm sempre a forma de um conflito aberto, ainda que a guerra na Ucrânia permaneça uma realidade diária na Europa”, afirmou. Essa condição híbrida no tabuleiro estratégico europeu exige, segundo ele, resposta organizada e multifacetada.
Sobre a natureza das ameaças à segurança euro-atlântica, o presidente do Comitê Militar foi enfático: “A Rússia permanece a ameaça mais direta e persistente; o terrorismo continua sendo a principal ameaça assimétrica para a NATO.” Ele descreveu a estratégia russa como uma tentativa de restabelecer esferas de influência e redesenhar a segurança regional — do flanco oriental ao Ártico — valendo-se de meios convencionais, cibernéticos e híbridos. “A economia russa está cada vez mais orientada para a guerra”, acrescentou.
Cavo Dragone alertou que as forças russas estão se rearmando com rapidez e que, em poucos anos, poderão representar uma ameaça efetiva aos Aliados, exigindo vigilância constante. “Devemos permanecer vigilantes, unidos e prontos”, declarou, traçando um apelo à coesão transatlântica.
Sobre o debate sobre gastos com defesa, frequentemente incentivado pelos Estados Unidos, o almirante rejeitou a noção de que aumentar o orçamento seja uma simples opção: “Não é uma opção — é uma necessidade. Mas prefiro falar em investir em segurança e defesa do que em gastar; a diferença é substancial.” Para Cavo Dragone, uma defesa robusta funciona como uma apólice: um investimento sustentado que, quando necessário, traz alívio e segurança aos aliados.
Em termos de estratégia geopolítica, suas observações traduzem um movimento decisivo no tabuleiro: reforçar capacidades tecnológicas (como contramedidas a drones), consolidar centros de excelência (Jatec) e fortalecer o arcabouço financeiro e político da defesa coletiva. É um redesenho discreto, porém profundo, dos alicerces da diplomacia e da dissuasão euro-atlântica — uma tectônica de poder que mira preservar a estabilidade frente a desafios híbridos e convencionais.
Enquanto a narrativa pública oscila entre alarme e normalidade, este diagnóstico do Comitê Militar reafirma que a verdadeira estabilidade resulta de planejamento persistente, investimentos medidos e cooperação estratégica entre os aliados.