Ataques com drones contra Moscou; aeroportos fechados e ofensivas russas deixam mortos em Zaporizhzhia e Odessa
Ataques com drones em Moscou forçam fechamento de aeroportos; bombardeios russos matam em Zaporizhzhia e Odessa; refinaria na Sibéria atingida.
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Ataques com drones contra Moscou; aeroportos fechados e ofensivas russas deixam mortos em Zaporizhzhia e Odessa
Por Marco Severini — Em uma série de movimentos que redesenham, ainda que de forma tensa, o tabuleiro de influência na guerra entre Rússia e Ucrânia, as autoridades russas relataram hoje a intercepção de uma ampla salva de drones dirigida contra a capital. O fechamento temporário de quatro aeroportos de Moscou e as declarações do prefeito Sergey Sobyanin, divulgadas em Telegram, compõem um quadro de resposta defensiva no coração do Estado russo.
Segundo a prefeitura, as defesas aereas teriam interceptado e destruído, cumulativamente, 59 drones durante as operações. Em atualizações subsequentes, Sobyanin relatou abatimentos em ondas distintas — citando 14 unidades derrubadas ao longo do dia e uma nova interceptação contra um grupo adicional de cinco drones — com equipes de resgate já atuando nos locais de queda. As medidas incluíram, por precaução, a suspensão temporária do funcionamento dos terminais aeroportuários da capital.
No teatro meridional do conflito, os ataques russos das últimas horas sobre cidades ucranianas trouxeram vítimas. Autoridades locais informaram que os bombardeios noturnos em Zaporizhzhia e Odessa resultaram em duas mortes. Ivan Fedorov, chefe da administração militar de Zaporizhzhia, relatou inicialmente três feridos e uma mulher presa em uma residência em chamas após o impacto de um projétil; posteriormente foi confirmada a morte da vítima soterrada nos escombros.
Na região de Odessa, o chefe da administração regional, Oleg Kiper, atribuiu um ataque sobre um depósito agrícola ao disparo de um suposto míssil balístico Iskander, que teria provocado a morte de uma pessoa.
Na península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, o governador Sergei Aksyonov anunciou a suspensão da venda de combustíveis nos postos, restringindo a distribuição apenas a serviços públicos essenciais para manter funções vitais e a segurança regional. Paralelamente, a companhia elétrica local, Krymenergo, informou cortes parciais de energia em distritos costeiros do noroeste, centro e sul da península, atribuídos a danos na rede e em fase de reparo.
Além das ações aéreas e dos bombardeios, o conflito apresentou hoje um alcance estratégico de longo raio: o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia reivindicou um ataque contra a refinaria de Antipinsky, na região de Tyumen, a mais de 2.000 km da linha de frente — uma instalação relevante da refinaria da Sibéria ocidental, com capacidade estimada entre 7,5 e 9 milhões de toneladas por ano, que abastece combustíveis civis e, segundo análises, parte das necessidades logísticas do esforço de guerra russo.
No domínio político, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou o presidente polonês Karol Nawrocki por alimentar uma disputa política interna que, em sua visão, fomenta sentimentos anti‑ucranianos. Zelensky comparou a estratégia a manobras já observadas em outros espaços políticos europeus e advertiu para os riscos dessa escalada retórica.
Em termos estratégicos, os eventos das últimas horas ilustram uma tectônica de poder onde logística, infraestrutura crítica e capacidade de projeção de força se tornam alvos e instrumentos simultaneamente. A capacidade de atingir pontos distantes, como a refinaria de Antipinsky, e a necessidade de proteger centros nevrálgicos como Moscou mostram como o conflito evolui para além da geografia próxima da fronteira: trata‑se de um jogo de alcance, resiliência e mensagens políticas, onde cada movimento no tabuleiro exige respostas ponderadas para evitar escaladas indesejadas.
Enquanto as equipes de emergência trabalham nas áreas atingidas e as autoridades contabilizam danos e vítimas, permanece a pergunta diplomática: até que ponto a vulnerabilidade das infraestruturas estratégicas redirecionará as prioridades de defesa e os alinhamentos internacionais? A resposta, por ora, seguirá sendo construída nos próximos lances deste confronto.