EUA e Irã têm entendimento, mas falta aval de Trump; confronto amplia crise entre Israel e Líbano
EUA e Irã mostram entendimento sem aval de Trump; negociações Washington buscam conter escalada entre Israel e Líbano e avaliar desarmamento do Hezbollah.
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EUA e Irã têm entendimento, mas falta aval de Trump; confronto amplia crise entre Israel e Líbano
Por Marco Severini — Em um momento em que a tensão regional se traduz em múltiplos pontos de fricção, surgem sinais de um entendimento diplomático entre EUA e Irã, ainda que sem o aval formal do ex-presidente Trump. Paralelamente, negociações militares entre Líbano e Israel chegam a Washington em nova tentativa de estabilizar uma frente que ameaça redesenhar equilibris estratégicos no Levante.
As delegações militares do Líbano e de Israel reúnem-se hoje em Washington, com os Estados Unidos novamente na posição de mediador. Este encontro sucede o round de 14 e 15 de maio, quando foi negociada uma prorrogação de 45 dias do cessar-fogo em vigor desde 16 de abril. A fase política do processo está agendada para 2 e 3 de junho, com a presença dos respectivos embaixadores — um calendário que revela a tentativa de criar alicerces institucionais para uma paz frágil.
O Departamento de Estado anunciou, após o encontro de maio, a inauguração, em 29 de maio, de um "caminho de segurança" no Pentágono, reunindo delegações militares de ambos os países. No cardápio das discussões está o desarmamento do Hezbollah, movimento que, até aqui, não participará diretamente das negociações — uma lacuna estratégica que mantém aberta a possibilidade de rupturas violentas.
Em Jerusalém, o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir reagiu com veemência à inclusão das forças de segurança israelenses na lista de responsáveis por violência sexual publicada pela Onu, onde constam unidades como a Yamam e a Unidade de Operações Especiais do Serviço Penitenciário. Para Ben-Gvir, o relatório demonstra que a organização internacional perdeu "bussola moral", ao equiparar agentes que combatem grupos como Hamas, Estado Islâmico e talibãs com os próprios perpetradores.
No cenário transatlântico, uma peça decisiva do tabuleiro é a relação entre os EUA e o Irã. Autoridades iranianas afirmaram ter abatido um equipamento aéreo americano — alegação que foi negada por Washington. Ao mesmo tempo, fontes próximas ao processo indicam a existência de uma intesa preliminar, que contudo ainda carece do aval político de Donald Trump.
Em entrevista à Fox News, cuja exibição é prevista para o fim de semana, Trump discutiu as possíveis repercussões políticas de um conflito aberto com o Irã sobre as eleições de meio de mandato de 2026. Citou um "problema estrutural": a janela política curta entre Presidenciais e Midterms, que reduziria a margem para intervenções militares. Apesar disso, afirmou que priorizará o que considera "o certo" independentemente da janela temporal.
Os efeitos econômicos são claros: a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz elevou os preços dos combustíveis, e uma sondagem da Fox mostrou que a oposição a uma intervenção militar americana no Irã subiu para 60% em maio, ante 55% em abril — um indicador relevante para quem move peças no tabuleiro eleitoral e estratégico.
Em Beirute e no sul do Líbano, o primeiro-ministro Nawaf Salam denunciou os bombardeios israelenses em vigor, especialmente sobre Tiro e áreas de Nabatieh, e condenou a destruição de monumentos históricos. Segundo Salam, tais ataques só reforçam a determinação libanesa por um cessar-fogo imediato, pela retirada das forças israelenses e pela extensão da autoridade estatal sobre todo o território.
À medida que potências externas sondam papéis de garantidores — com menções preliminares à China como possível mediadora — o cenário permanece de alta complexidade. Trata-se de uma partida em que cada movimento político e militar reconfigura linhas invisíveis de influência; o risco é que a arquitetura regional, já fragilizada, sofra um novo e profundo redesenho.