EUA e Irã retomam ataques: fim do cessar-fogo, diplomacia ameaçada no Estreito de Hormuz
EUA e Irã retomam ataques; Trump declara fim do cessar-fogo enquanto diplomacia e liberdade de navegação no Estreito de Hormuz ficam em risco.
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EUA e Irã retomam ataques: fim do cessar-fogo, diplomacia ameaçada no Estreito de Hormuz
Por Marco Severini — A escalada entre EUA e Irã marca um novo movimento decisivo no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio. Declarações duras, ataques mútuos e sinais contraditórios sobre a abertura de negociações transformam a atual crise numa partida de xadrez onde cada lance redesenha, de forma invisível, os alicerces da diplomacia regional.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou em entrevista à NDR Info que podem ser justificadas “ações militares adicionais” caso Teerã não se comprometa de forma séria nas negociações sobre o seu programa nuclear. Para Wadephul, o Irã precisa entender que chegou a hora de negociar de maneira concreta: ou renuncia às ambições nucleares e inicia conversas com seriedade, ou a comunidade internacional terá motivos para respostas mais duras.
Ao mesmo tempo, o chanceler alemão reconheceu que ainda existe uma janela para o diálogo entre EUA e Irã. ‘‘Acredito que há ainda uma possibilidade de que essas negociações aconteçam’’, afirmou, descrevendo a escalada atual como uma espécie de prova de força — deplorável, porém potencialmente antecedente a negociações verdadeiras. Wadephul também enfatizou que o Estreito de Hormuz deve permanecer livre e acessível à navegação comercial, acusando o Irã de interferir no tráfego marítimo em violação do direito internacional.
A Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, advertiu que os novos ataques entre EUA e Irã “complicam ainda mais” negociações já tensas para encerrar o conflito. Em publicação na rede X, Kallas qualificou como “inaceitáveis” os ataques iranianos contra o Barém e o Kuwait e confirmou que os ministros das Relações Exteriores dos 27 Estados-membros da UE se reunirão com seus pares do Golfo para coordenar medidas destinadas a preservar a liberdade de navegação no Estreito de Hormuz e no Mar Vermelho.
Na dimensão militar, autoridades regionais iranianas reportaram que ataques aéreos dos EUA atingiram alvos na província de Khuzestan, sudoeste do Irã. Valiollah Hayati, vice-governador da região para segurança e ordem pública, informou à agência Fars que três alvos foram atacados nos distritos de Bandar Mahshahr, Bandar Khomeini e Hamidiyeh, com ao menos uma pessoa morta e duas feridas.
O presidente Donald Trump intensificou o tom contra Teerã, qualificando o país de “doente” e “mentiroso” e declarando que o cessar-fogo “acabou”. Trump mencionou a repressão interna no Irã, lembrando as milhares de mortes nas ondas de protesto anteriores, e disse que isso explica parte do comportamento externo iraniano: ‘‘São pessoas más’’, resumiu, num pronunciamento que reforça a linha de confronto.
Fontes locais também informaram que projéteis atingiram duas bases militares na província meridional de Bushehr, segundo comunicado de um vice-responsável regional. O quadro é de ações que se multiplicam em diversas frentes e que ameaçam transformar uma crise pontual em um redesenho mais amplo das áreas de influência na região.
Do ângulo da estratégia, permaneço atento ao jogo de provações mútuas: por um lado, pressões militares que buscam forçar concessões; por outro, canais limitados de diplomacia que ainda podem, se manejados com prudência, evitar um conflito amplo. A tectônica de poder no Golfo encontra-se, hoje, em movimento — e cada decisão é um movimento no tabuleiro que terá efeitos duradouros sobre rotas comerciais, alianças regionais e a estabilidade global.