Vida de Narges Mohammadi em risco após possível infarto na prisão iraniana
Ativistas alertam que a Nobel Narges Mohammadi pode ter sofrido infarto na prisão de Zanjan; família e ONGs pedem transferência hospitalar imediata.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Vida de Narges Mohammadi em risco após possível infarto na prisão iraniana
Por Marco Severini — Em um movimento que altera, de forma preocupante, o tabuleiro da diplomacia e dos direitos humanos, ativistas próximos à laureada com o Prêmio Nobel da Paz Narges Mohammadi afirmam que a militante iraniana pode ter sofrido um infarto enquanto está detida na prisão de Zanjan, no norte do Irã.
Segundo comunicado da Coalition Free Narges e relatos de companheiras de cela, a última visita de sua equipe jurídica, acompanhada por um membro da família, ocorreu em 29 de março. As testemunhas descrevem a ativista como «pálida, fraca e com perda significativa de peso». A mesma coalizão informa que Mohammadi foi encontrada desacordada em sua cama já em 24 de março, com os olhos virados para trás — indícios, segundo os observadores, compatíveis com um episódio cardíaco.
Fontes próximas relatam que, apesar dos sinais aparentes de um problema cardíaco grave, as autoridades prisionais recusaram o seu encaminhamento para um hospital, limitando o atendimento à enfermaria da cadeia. Mohammadi convivia com doenças cardíacas há anos e teve outros infartos durante detenções anteriores; em 2022 foi submetida a cirurgia de emergência. Por tais riscos, havia sido libertada no fim de 2024, mas foi novamente presa após participar de uma manifestação em Mashhad em 12 de dezembro, durante uma cerimônia fúnebre.
Em fevereiro ela foi transferida, sem aviso prévio, do notório presídio de Evin, em Teerã, para a prisão de Zanjan — um movimento que, no contexto da atual tensão regional decorrente do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel e incidentes com o Irã, intensificou temores sobre sua segurança. Fontes internacionais e internas relatam danos a centros de detenção desde o início do conflito, onde permanecem milhares de dissidentes, incluindo jornalistas e artistas.
O marido de Mohammadi, o também ativista Taghi Rahmani, que vive em exílio em Paris desde 2012 com os filhos gêmeos do casal, lançou um alerta público sobre as condições da esposa. Rahmani descreveu-se como "muito preocupado" e denunciou que o regime nega a transferência hospitalar e informações claras — obtendo apenas notícias fragmentadas sobre o estado dela.
Rahmani, preso em ocasiões anteriores por sua oposição aos aiatolás, classificou como "criminosa" a recusa de Teerã em libertar prisioneiros políticos no início do atual confronto, impedindo que eles buscassem segurança. Organizações como a Amnesty International também advertiram que inúmeros ativistas e prisioneiros políticos estão em risco de vida no país, onde a pena capital permanece prevista na legislação.
Nesta fase, a situação de Narges Mohammadi transcende o caso individual: representa um teste da resiliência dos alicerces do respeito aos direitos humanos no Irã e um movimento decisivo no tabuleiro regional. A comunidade internacional e as redes de proteção civil observam com atenção cartográfica, traçando rotas diplomáticas e pressões que ainda podem redesenhar fronteiras invisíveis entre consciência pública e poder estatal.
Enquanto isso, a saúde de Mohammadi exige, de caráter imediato, acesso a cuidados especializados fora das paredes carcerárias — uma demanda que, se não atendida, pode produzir consequências irreversíveis tanto para ela quanto para o equilíbrio moral e político que sustenta o discurso dos direitos humanos no país.