Peskov: encontro Putin–Zelensky só para acordo final; Costa anuncia aprovação de empréstimo a Kiev
Convite da Rússia ao G20, declarações de Peskov e Zelensky, acordos de drones com o Oriente Médio e ataque a Novokuybyshevsk; Costa anuncia empréstimo a Kiev.
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Peskov: encontro Putin–Zelensky só para acordo final; Costa anuncia aprovação de empréstimo a Kiev
Por Marco Severini — Em uma série de movimentos que redesenha, de forma contida, o tabuleiro diplomático europeu, emergem sinais contraditórios sobre negociações e apoio internacional à Ucrânia. A cortina de confidências oficiais e as declarações públicas desta terça-feira delineiam uma tectônica de poder que exige leitura atenta.
O vice‑ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Pankin, afirmou que Moscou recebeu um convite para participar do encontro do G20 nos Estados Unidos “ao mais alto nível”, mas que ainda não foi tomada decisão definitiva sobre a presença russa. O encontro está agendado para 14 e 15 de dezembro de 2026, em Miami. A observação de Pankin confirma que o convite existe, embora a participação — e sobretudo a presença pessoal de Vladimir Putin — permaneça incerta. Em março, o porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, já havia indicado que não se esperava a participação de Putin no encontro norte‑americano; a última presença pessoal do presidente russo num G20 data de 2019, no Japão.
No terreno ucraniano e na arena pública, o presidente Volodymyr Zelensky utilizou a plataforma X para dirigir uma mensagem direta aos grandes atores: é necessário que líderes como os presidentes Trump, Xi e o primeiro‑ministro Modi digam a Putin para pôr fim à guerra, em vez de exigir que a Ucrânia interrompa sua defesa. Sua argumentação é pragmática e de ordem estratégica: uma presença de forças internacionais ao longo da linha de contato funcionaria como um forte elemento dissuasório, tornando o custo de uma nova ofensiva russo significativamente mais alto.
Na mesma linha de reforço de capacidades, Kiev anunciou a assinatura de três documentos de segurança com países do Oriente Médio — acordos sobre drones com a Arábia Saudita, o Catar e os Emirados Árabes Unidos — que, segundo Zelensky, se converterão em múltiplos contratos com os setores público e privado ucranianos. Trata‑se de um movimento que reconfigura infraestruturas militares e econômicas, criando alicerces novos para a defesa e a reconstrução.
Em visita surpresa, o príncipe Harry desembarcou em Kyiv, um gesto de visibilidade internacional que soma simbolismo diplomático à ajuda material e técnica. “É bom estar novamente na Ucrânia”, relataram mídias locais, numa visita que insere soft power e atenção mediática na equação.
Zelensky também advertiu que o conflito no Irã tem desviado foco internacional da Ucrânia. Para ele, seria um erro adiar negociações; o país encontra‑se no epicentro de uma tragédia que exige simultaneidade de esforços — negociar e resistir ao mesmo tempo, uma operação de dupla frente.
No sul da Rússia, autoridades regionais relataram um ataque noturno com drones contra instalações industriais em Novokuybyshevsk, na região de Samara. O governador Vyacheslav Fedorishchev comunicou preliminarmente um morto e feridos enquanto as ações de resposta e investigação prosseguem.
Paralelamente, da esfera política italiana chega a afirmação de Costa: “hoje aprovamos um empréstimo a Kiev”. A declaração, ainda breve em detalhes, aponta para uma continuidade de apoio financeiro ocidental à Ucrânia — um movimento com implicações claras para a sustentação logística e diplomática do governo de Kiev.
Este mosaico de sinais — convites multilaterais, acordos bilaterais, visitas simbólicas, ataques transfronteiriços e decisões de financiamento — compõe um cenário de manobras que exigem leitura estratégica. Como em um tabuleiro de xadrez, cada peça movida por Pequim, Washington, Riad ou Bruxelas altera possíveis finais; a questão permanece saber se esses movimentos conduzirão a um acordo final entre Putin e Zelensky, ou apenas a um prolongamento cuidadosamente calibrado do conflito.