Rubio: sem negociações com Kiev por enquanto; Lavrov pede evacuação da embaixada dos EUA
Rubio diz que não há negociações com a Ucrânia; Lavrov pede evacuação da embaixada dos EUA; ataques com Storm Shadow e bombardeio em Kramatorsk ferem civis.
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Rubio: sem negociações com Kiev por enquanto; Lavrov pede evacuação da embaixada dos EUA
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, de forma sutil porém decisiva, mais um trecho do tabuleiro geopolítico, o secretário de Estado americano Marco Rubio afirmou que, no momento, os Estados Unidos não mantêm negociações ativas com a Ucrânia nem preveem iniciá-las em caráter iminente. A declaração foi dada à imprensa no aeroporto internacional de Jaipur, na Índia, depois de uma conversa telefônica com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov. Rubio deixou claro que "no momento não há negociações ativas ou programadas com a Ucrânia".
Do lado militar, o Estado‑Maior das Forças Armadas de Kiev comunicou que a aviação ucraniana empregou mísseis Storm Shadow para atingir infraestruturas militares russas no oblast ocupado de Luhansk. Segundo o comunicado, o ataque destruiu com sucesso um importante posto de comando, controle e comunicações do inimigo em território temporariamente ocupado, uma demonstração, nas palavras dos militares ucranianos, de que "nenhuma posição do agressor russo é segura no território ucraniano".
Os mísseis Storm Shadow, fornecidos pelo Reino Unido, têm alcance que varia entre 250 e 560 quilômetros conforme a versão, projetados para voo a baixa altitude e alta velocidade com sistemas avançados de navegação — características que aumentam sua eficácia contra objetivos estratégicos. Esses golpes fazem parte da campanha ucraniana para degradar a capacidade de Moscou de sustentar a ofensiva.
No campo de combate, as forças russas realizaram um ataque aéreo ao centro de Kramatorsk, no oblast de Donetsk, ferindo ao menos 12 civis. Autoridades regionais informaram que as bombas atingiram áreas próximas a prédios residenciais no coração da cidade, provocando danos às infraestruturas habitacionais. Segundo o prefeito Oleksandr Honcharenko, foram lançadas duas bombas aéreas FAB‑250 por volta das 17h52, horário local.
As equipes de emergência, socorristas e pessoal médico atuaram no local, enquanto o gabinete do procurador do oblast de Donetsk abriu investigação por possível crime de guerra. Kramatorsk, situada a menos de 20 quilômetros das posições russas no leste da região, tem sido alvo de intensos bombardeios com bombas planantes e drones; a cidade é um nó logístico estratégico para a Ucrânia, com ligações ferroviárias e rodoviárias essenciais, tornando‑a um objetivo prioritário para a ofensiva russa.
Paralelamente, o ministro Lavrov pediu a evacuação da embaixada dos Estados Unidos — um gesto de pressão diplomática destinado a criar, no plano simbólico, uma nova camada de isolamento e risco. Do lado americano, Rubio reafirmou que os EUA estão "prontos e preparados para fazer tudo o que for possível para contribuir ao término desta guerra", acrescentando a expectativa de que surja, no futuro, uma janela para avanços diplomáticos.
Nesta encruzilhada, as peças se movimentam em vários tabuleiros: o militar, com ataques que buscam corroer centros de comando e logística; o diplomático, com solicitações de evacuação e declarações públicas que testam a resistência institucional; e o estratégico, onde nações fornecedoras de armamentos projetam alcance e dissuasão. A tensão permanece elevada, e cada ação — seja um telefonema entre ministros, seja um míssil de longo alcance — redesenha, por vezes de forma quase imperceptível, os alicerces frágeis da diplomacia na região.
Como analista, observo que essa sequência de declarações e operações confirma a tese de uma "tectônica de poder" em que movimentos táticos têm efeitos estratégicos duradouros: a Ucrânia demonstra capacidade de atingir posições russas; Moscou responde com pressão e ataques a centros urbanos; e potências externas mantêm posturas públicas que, ao mesmo tempo, procuram preservar espaço de manobra para negociações futuras — mesmo quando, hoje, elas não estão em curso.