Tregua unilateral de Kiev entra em vigor enquanto ataques russos deixam mais de 20 mortos

Tregua unilateral de Kiev entra em vigor; ataques russos e ucranianos deixam mais de 20 mortos e intensificam tensão antes das celebrações de 9 de maio.

Tregua unilateral de Kiev entra em vigor enquanto ataques russos deixam mais de 20 mortos

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Tregua unilateral de Kiev entra em vigor enquanto ataques russos deixam mais de 20 mortos

Em um movimento que revela a tensão da tregua de Kiev e a fragilidade dos acordos temporários, a madrugada foi marcada por ataques que resultaram em dezenas de vítimas em ambos os lados. Autoridades russas e ucranianas trocaram acusações, enquanto civis pagam o preço de um conflito que persiste como um jogo de poder de alto risco.

Moscou denunciou o que classificou como a 'fúria neonazista' de Kyiv depois de um ataque atribuído às forças ucranianas na Crimeia ocupada, que, segundo autoridades locais, matou cinco pessoas na cidade de Dzhankoy. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo vinculou o episódio às celebrações do 9 de maio — a data da vitória sobre o nazifascismo para a Rússia — e usou o acontecimento para desacreditar os apelos ocidentais por calma.

Por sua vez, o governo ucraniano informou que a Rússia lançou '108 drones e três mísseis' contra o território ucraniano, interrompendo o cessar-fogo anunciado por Kiev a partir da meia-noite entre 5 e 6 de maio. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrij Sybiha, publicou a contagem nas redes sociais, afirmando que os ataques aéreos continuaram durante a noite, incluindo ações sobre Kharkiv e Zaporizhzhia.

Segundo Sybiha, Moscou ignorou um apelo 'realista e razoável' para a suspensão das hostilidades apoiado por outros Estados e organismos internacionais, o que demonstraria, na ótica ucraniana, que a Rússia recusa a paz e usa cessar-fogo como manobra diplomática cínica. 'Aos olhos de Putin importam apenas as paradas militares, não as vidas humanas', escreveu o gabinete ucraniano, pedindo maior pressão internacional, novas sanções e responsabilização pelos crimes atribuídos às forças russas.

O Ministério da Defesa russo, por sua vez, disse que seus sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram 53 drones de asa fixa em várias regiões fronteiriças — Belgorod, Bryansk, Kursk — além da região de Moscou, da República da Crimeia e sobre águas do Mar Negro. A agência Tass reproduziu as declarações oficiais sobre a defesa contra a suposta onda ucraniana de veículos aéreos.

No lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky relatou em mensagem que um ataque aéreo russo em Dnipro deixou quatro mortos e classificou como 'totalmente injustificável' a ofensiva que também atingiu instalações em Zaporizhzhia. Ao mesmo tempo, Kiev anunciou um cessar‑fogo unilateral a partir da meia‑noite, enquanto Moscou planeja silenciar as armas nos dias 8 e 9 de maio para suas comemorações oficiais.

Em tom severo e estratégico, Zelensky advertiu que uma trégua de 'algumas horas' não altera a natureza da guerra: é 'essencial que a Rússia seja forçada a pôr fim a este conflito' e que os ataques cessem 'a cada dia'. Essa posição revela a leitura ucraniana do conflito como disputa de resistência prolongada, em que concessões temporais não substituem mudanças no equilíbrio de poder.

O episódio ilustra a delicada tectônica de poder em curso: manobras simbólicas e militares convergem nas praças das comemorações e nos bastidores diplomáticos, enquanto a pressão internacional sobre Moscou para responsabilização e o reforço do apoio à Ucrânia ganham novo ímpeto. No tabuleiro estratégico, cada trégua anunciada é um movimento tático que não garante, por si só, a paz duradoura.

Marco Severini - Espresso Italia