Trump apoia ação saudita contra os Houthi e ameaça golpe decisivo contra o Irã
Trump apoia ação saudita contra os Houthi; Irã responde com ataques e EUA prometem reembolso aos aliados. Escalada reconfigura o tabuleiro do Golfo.
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Trump apoia ação saudita contra os Houthi e ameaça golpe decisivo contra o Irã
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, mais uma vez, os alicerces frágeis da diplomacia no Golfo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio ao príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman para ações militares contra os Houthi, rebeldes iemenitas apontados como apoiados pelo Irã. A informação foi divulgada por Axios, citando funcionários norte-americanos, e enquadra-se na maior escalada entre Saná e a Arábia Saudita desde 2022.
No porão do poder, onde se jogam peças cujo movimento decide fronteiras de influência, Trump afirmou na Casa Branca que os Estados Unidos deveriam ser reembolsados pelos "países que estamos ajudando" no confronto com o Irã. "Quero ser reembolsado porque estamos protegendo uma parte muito rica do mundo. Estamos gastando dinheiro", declarou o presidente ao receber jornalistas no Estúdio Oval. Reiterou ainda que, apesar de os EUA não precisarem desses recursos do ponto de vista material, a lógica da proteção dos aliados — Israel, Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos — impõe a cobrança.
Em paralelo, a televisão estatal iraniana e a agência Al Jazeera noticiaram que as Forças Armadas do Irã afirmaram ter lançado um ataque com drones contra alvos militares dos Estados Unidos no Kuwait. Segundo a estatal IRIB, as ações teriam atingido um sistema Patriot, tanques de combustível, uma torre de vigia, um depósito de munições e sistemas de comunicação. A mesma fonte cita a Marinha iraniana como responsável por disparos de mísseis de cruzeiro contra uma "nave inimiga dos Estados Unidos".
O Ministério das Forças Armadas norte-americanas confirmou o início de bombardeios contra alvos no Irã pela terceira noite consecutiva, e a televisão estatal iraniana reportou explosões na região de Bandar Abbas, no sul iraniano.
Em entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt, Trump admitiu que as operações militares dos EUA contra o Irã podem se estender por "duas ou três semanas". Na mesma conversa, ameaçou atingir o complexo conhecido como Kuh-e Kolang Gaz — a chamada "Montanha do Piccone" — um sítio fortificado na cadeia dos montes Zagros, associado a instalações nucleares subterrâneas. "Eliminaremos a Montanha do Piccone. Digam aos iranianos que se preparem", declarou o presidente, numa linguagem de ameaça direta.
O quadro estratégico é complexo e multifacetado: de um lado, o apoio explícito de Washington a Riade indica um alinhamento operacional e político; de outro, as respostas iranianas — via drones, mísseis e alegadas ações navais — ampliam uma tectônica de poder que pode reconfigurar rotas comerciais e pontos nodais como o Estreito de Hormuz. Relatos também apontam para um movimento diplomático em Muscat e a manutenção de prazos eleitorais em Israel, com votação marcada para 27 de outubro, fatores que podem influenciar equações regionais.
Como um jogador que avalia o tabuleiro antes de sacrificar uma peça, é imprescindível observar os próximos lances: o custo político e material para os Estados que se envolvem, a resposta das alianças formais e informais, e a resiliência das rotas de energia que sustentam economias nacionais. A escalada demonstrada nestes dias não é apenas um conflito local: é um reposicionamento de eixos de influência, com ramificações para a estabilidade global.
Enquanto as sirenes diplomáticas soam, a comunidade internacional assiste a um movimento de alto risco, em que a prudência e o cálculo estratégico deveriam prevalecer sobre a retórica beligerante. A próxima semana poderá oferecer os sinais decisivos sobre se este confronto seguirá para uma contenção controlada ou para uma amplificação imprevisível.