Trump: "A NATO não faz nada por nós — e não precisamos dela" após operação no Estreito de Hormuz

Trump critica aliados pela recusa no Estreito de Hormuz e afirma que EUA não precisam da NATO após ação contra o Irã.

Trump: "A NATO não faz nada por nós — e não precisamos dela" após operação no Estreito de Hormuz

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Trump: "A NATO não faz nada por nós — e não precisamos dela" após operação no Estreito de Hormuz

Por Marco Severini — Em mais um movimento que redesenha, no plano retórico, a tectônica de poder do Atlântico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu com dureza à recusa de aliados em participar de operações navais no Estreito de Hormuz. A mensagem, publicada na rede Truth, expõe uma visão de mundo onde a proteção americana é percebida como um corredor unidirecional: nós defendemos, eles não retribuem.

Trump afirma não estar surpreendido com a postura dos parceiros: “Sempre encarei a NATO — para a qual desembolsamos centenas de bilhões por ano — como uma via de sentido único: nós os protegemos, mas eles não fazem nada por nós, especialmente nos momentos de necessidade”. Em tom de decisão estratégica, disse ainda que, por terem “aniquilado as forças armadas do Irã”, os Estados Unidos não têm mais "necessidade" ou "desejo" da ajuda dos membros da NATO. A mesma sentença, segundo o presidente, aplica-se a aliados do Indo-Pacífico: Japão, Austrália e Coreia do Sul.

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Na sala oval, ao lado do primeiro-ministro irlandês Michael Martin, Trump repetiu as críticas, qualificando a recusa da Aliança em ajudar nas patrulhas pelo Estreito como “um erro estúpido”. Em afirmações destinadas tanto ao público interno quanto aos aliados, destacou que, embora muitos tenham concordado com a ação americana de forma privada, não quiseram comprometer-se publicamente. "É incrível", disse, "nós ajudamos tanto e eles não querem ajudar a nós".

Sobre o desfecho das operações contra o Irã, o presidente foi assertivo e vago ao mesmo tempo: “Não estamos ainda prontos para terminar, mas terminaremos em breve, muito em breve”. Numa medida de cronometrista militar, acrescentou que a maior parte do conflito em solo iraniano deverá «acabar em dois a três dias» — declaração que, pela sua imprecisão temporal, funciona mais como uma peça de pressão estratégica do que como cronograma operacional.

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No mesmo dia, Trump comentou a renúncia do chefe do Centro Antiterrorismo, Joe Kent, qualificando-a como positiva após ter lido a declaração do ex-chefe, que descrevia o Irã como não sendo uma ameaça. "Achei que ele era uma boa pessoa, mas fraco em segurança", declarou o presidente, numa linha que pretende reafirmar seu controle sobre o discurso de ameaça e ação.

Por fim, não poupou o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, expressando decepção pelo apoio ausente do Reino Unido às ações americanas. Citou laços econômicos e comerciais como fatores que, em sua visão, tornam a falta de solidariedade política ainda mais incompreensível.

Do ponto de vista estratégico, estas declarações formalizam um movimento político-diplomático: Washington reposiciona-se como poder autônomo, disposto a operar sem o respaldo público das alianças tradicionais. No tabuleiro da geopolítica, é um lance audacioso que visa demonstrar capacidade de ação unilateral, mas que também fragiliza, potencialmente, os alicerces frágeis da diplomacia em momentos de tensão. A leitura calma e cartográfica desta fase exige atenção aos próximos passos e às repercussões nos teatros regionais e nas cadeias de alianças que mantêm a estabilidade mundial.

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