Zelensky: Itália é alvo da guerra híbrida de Putin e sofre com limites à inteligência e ao Starlink
Zelensky alerta: Itália é vítima da guerra híbrida de Putin; critica limites à inteligência e ao Starlink e pede maior proteção aérea e transparência entre aliados.
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Zelensky: Itália é alvo da guerra híbrida de Putin e sofre com limites à inteligência e ao Starlink
Por Marco Severini — Em entrevista ao Corriere della Sera, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que a Itália — assim como outros países europeus — é vítima da guerra híbrida conduzida pela Rússia, marcada por campanhas de desinformação e tentativas de condicionar o debate público. O presidente traçou um diagnóstico que combina franqueza diplomática e preocupação estratégica pelos alicerces frágeis da cooperação entre aliados.
Zelensky denunciou, em termos claros, as limitações à partilha de inteligência e a redução da velocidade do Starlink como realidade concreta e não mais meras ameaças. "As limitações à partilha de informações de inteligência e a redução da velocidade de Starlink não são mais simples ameaças, mas uma realidade. É injusto para conosco", disse o presidente, pontuando que a transparência entre parceiros é condição de confiança.
Adotando um tom que mistura urgência e pragmatismo, Zelensky sublinhou: "Restamos gratos ao povo americano e à equipa dos Estados Unidos, mas entre parceiros deve haver honestidade". Para ele, a relação deve assentar em "honestidade, justiça e transparência": diferenças de opinião são admissíveis, desde que não comprometam a capacidade de defesa comum.
Ao analisar o tabuleiro estratégico, o presidente pediu interceptores para proteger infraestruturas energéticas: "Se os russos nos atacam e não podemos responder, é injusto. Pedi: se for necessário para vós aliados, e não conseguirem deter Putin, deem-nos pelo menos interceptores para proteger as infraestruturas energéticas." Zelensky insistiu que mesmo com perdas residuais, fornecer meios defensivos seria comportamento digno de um parceiro.
O presidente também chamou a atenção para a necessidade de preparação para o inverno, lembrando que alguns países dispõem de sistemas Patriot e podem colaborar para reforçar a defesa aérea ucraniana. "Se o céu for protegido, as pessoas permanecerão o máximo possível na Ucrânia. Se avançarmos na proteção, as condições para o retorno e a reconstrução serão melhores", afirmou.
Nas relações bilaterais com a Itália, Zelensky afirmou ter "um ótimo relacionamento com Giorgia Meloni" e declarou respeito pessoal pela primeira-ministra. Ele valorizou a parceria industrial e tecnológica: além da ajuda militar, há troca de conhecimento sobre quais armamentos funcionam, melhorias introduzidas por engenheiros ucranianos e cooperação com empresas como a Leonardo. "Isso não é só ajuda: são empregos em fábricas italianas e transferência tecnológica", explicou, lembrando a importância de construir uma capacidade de defesa aérea europeia robusta.
Sobre negociações diplomáticas, Zelensky confirmou disponibilidade ao diálogo, mas advertiu contra qualquer tentativa de reintroduzir Vladimir Putin ao centro do palco internacional sem garantias claras. Kiev não pretende obstruir processos de paz, mas condiciona qualquer acordo à segurança da Ucrânia e exige que decisões não sejam tomadas sem a presença e a concordância ucraniana — um princípio que resume a soberania como peça central da negociação.
Em suma, a mensagem presidencial combina um alerta geopolítico e um apelo prático: o confronto hoje passa tanto por informação e tecnologia quanto por hardware militar. No grande tabuleiro da política internacional, disse Zelensky, é imperativo que os aliados joguem com transparência para não fragilizar os alicerces da diplomacia e da defesa coletiva.

