Zelensky afirma estar pronto para a paz, mas descarta ceder o Donbass; negociações ganham novo impulso
Zelensky diz estar pronto para a paz, mas recusa ceder o Donbass; novos rounds diplomáticos e ataques por drones em Belgorod e Kharkiv tensionam o cenário.
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Zelensky afirma estar pronto para a paz, mas descarta ceder o Donbass; negociações ganham novo impulso
Por Marco Severini — Enquanto as cortinas do confronto se movem com ritmos irregulares no tabuleiro europeu, novos episódios bélicos e sinais diplomáticos se entrelaçam em uma tectônica de poder que continua a remodelar fronteiras, visíveis e invisíveis.
Na madrugada, um massivo ataque por um enxame de drones ucranianos atingiu a região russa de Belgorod, segundo autoridades locais e vídeos divulgados em redes sociais. Conforme reportou o Kyiv Independent, a maior parte dos vetores convergiu para o coração urbano, mirando em particular o MegaGRINN — o complexo comercial e de entretenimento com mais de 163.000 m² e cerca de 200 lojas. O ataque ocorreu fora do horário de funcionamento do centro, o que impediu vítimas civis em massa.
Na contra-face, um ataque noturno atribuído a drones russos atingiu o distrito de Novobavarskyi, em Kharkiv, causando a morte de uma pessoa e ferindo outras quatro, informou o prefeito Igor Terekhov, conforme noticiado pela Ukrainska Pravda. Esses episódios ilustram a dinâmica de escalada localizada que persiste apesar das iniciativas diplomáticas em curso.
No plano político, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reiterou em entrevista à ABC News que Kiev «está pronta para a paz», mas estabeleceu um limite intransponível: nenhuma cessão adicional de territórios à Rússia. Moscou controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano e insiste em obter pleno controle do Donbass, mantendo assim uma distância negocial considerável em relação a Kiev.
O calendário diplomático prevê novos rounds a partir da próxima semana na Europa, com delegações ucranianas reunindo-se com parceiros europeus e com enviados especiais estadunidenses — nomeadamente Steve Witkoff e Jared Kushner —, em preparação para um encontro trilateral entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia agendado para meados de novembro. O nó central dessas conversas continua sendo o enquadramento das fronteiras e das linhas de contato: Kiev prefere um congelamento do front nas linhas atuais, preservando soberania e segurança de longo prazo.
Do lado americano, o senador Marco Rubio qualificou a disputa como essencialmente centrada no Donbass: Moscou busca a região por meios políticos e militares, mas enfrenta limites na ação puramente bélica; por sua vez, a Ucrânia não está disposta a abrir mão da área. Essa abordagem realista evidencia a tensão entre objetivos estratégicos e capacidades militares.
Pesam também ambiguidades no papel mediador dos EUA, especialmente sob a administração anterior, que buscou equilibrar a diplomacia com interesses econômicos domésticos. Entre os elementos de atrito figuram acordos energéticos envolvendo lideranças russas e relatos de contatos empresariais entre emissários norte-americanos e empresas russas, episódios que tensionaram Washington e Kiev e chegaram a provocar a suspensão temporária do compartilhamento de inteligência e outras restrições bilaterais.
Num momento em que as negociações se abrem com cautela, o que se desenha é um jogo de alto tabuleiro: movimentos diplomáticos que buscam consolidar ganhos sem provocar rupturas estratégicas, em meio a confrontos localizados que continuam a demonstrar a fragilidade dos alicerces da paz. O desafio será traduzir convergências parciais em compromissos duráveis que preservem soberania e evitem um redesenho forçado do mapa.

