Zelensky: 'Prontos para paz imediata, mas não cederemos mais territórios' — análise de Marco Severini
Zelensky diz estar pronto para paz imediata, mas recusa ceder mais territórios; critica redução de ajuda americana e cita escassez de interceptadores Patriot.
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Zelensky: 'Prontos para paz imediata, mas não cederemos mais territórios' — análise de Marco Severini
Por Marco Severini, Espresso Italia — Em entrevista à ABC News, o presidente Zelensky reafirmou a disposição da Ucrânia de negociar um cessar‑fogo imediato, mas deixou claro que essa alternativa não passará pela entrega de novas parcelas de território ao avanço da Rússia. Em frase que sintetiza a tensão entre urgência e soberania, afirmou que faria um acordo de paz hoje mesmo se pudesse, e que Kiev está pronto a congelar o conflito ao longo das atuais linhas de frente para terminar uma guerra que já se aproxima de cinco anos.
O presidente destacou o contexto territorial: atualmente a Rússia controla mais de 19% do território ucraniano. Ainda assim, sublinhou que a Ucrânia nao esta disposta a ceder adicionalmente para encerrar as hostilidades. Na linguagem da geopolítica, trata‑se de uma oferta de cessação de fogo como recurso estratégico — um movimento defensivo no tabuleiro que preserva os alicerces da soberania enquanto se busca estabilidade.
Logo após as conversas sobre uma possível trégua, Moscou desencadeou três ondas de mísseis balísticos contra Kiev, episódio que Zelensky citou ao avaliar o frágil equilíbrio entre discurso e ação. O incidente reforça a natureza assimétrica da pressão militar: propostas de congelamento do conflito podem encontrar efeitos contrários se não forem acompanhadas por garantias robustas de segurança.
No plano do apoio externo, o presidente lamentou a redução de assistência americana. Zelensky mencionou que a Ucrânia recebeu apenas 24 interceptadores do sistema Patriot nos últimos três meses, número que, segundo ele, está bem aquém do necessário para proteger infraestruturas civis e linhas logísticas. Apesar da crítica, afirmou não se sentir traído pelos Estados Unidos, mas deixou claro que percebe uma diminuição no nível de suporte, o que altera substancialmente a tectônica de poder no teatro ucraniano.
Ao comentar as relações entre Donald Trump e Vladimir Putin, Zelensky reconheceu a escolha pessoal do ex‑presidente norte‑americano de manter laços com o Kremlin: 'Nao sei se é certo ou errado, é uma decisão pessoal ser amigo de Putin ou não', afirmou, apontando para a complexidade das relações bilaterais que pesam em qualquer cálculo estratégico.
Por fim, o presidente falou com franqueza sobre seu papel e imagem: declarou ser grato pelo apoio norte‑americano, admitiu nao ser sempre 'educado' nos modos e reforçou que a Ucrânia nao pode se dar ao luxo de ter um presidente fraco no momento. Em tom quase irônico, comentou sobre percepções de humanidade, fazendo referência indireta a Putin, como quem recorda que a política muitas vezes exige decisões duras longe de gestos simbólicos.
Em suma, a mensagem de Zelensky combina urgência por paz com determinação em não sacrificar território — uma posição que exige de aliados garantias concretas e de Kiev habilidade diplomática para transformar um apelo por fim das hostilidades em segurança duradoura. No tabuleiro internacional, trata‑se de mover peças sem abrir mão do centro do campo.

