Inquérito sobre o 425º Regimento 'Skala' revela seviciamentos e mortes sob liderança suspensa

Investigação expõe torturas e 26 mortes no 425º regimento Skala; líder suspenso e apurações contra práticas abusivas nas forças ucranianas.

Inquérito sobre o 425º Regimento 'Skala' revela seviciamentos e mortes sob liderança suspensa

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Inquérito sobre o 425º Regimento 'Skala' revela seviciamentos e mortes sob liderança suspensa

Por Marco Severini — Uma investigação jornalística independente da publicação ucraniana Babel rasgou o véu sobre práticas internas alarmantes no 425º regimento autônomo de assalto Skala, apontando para uma rotina de sevícias, tortura e mortes de recrutas em circunstâncias não relacionadas ao combate. O episódio representa um movimento decisivo no tabuleiro da reputação das forças armadas ucranianas, com implicações para a cadeia de comando e a coesão interna.

Segundo as apurações, o comando da unidade — até então liderado pelo tenente-coronel Yuriy Harkavyi, recentemente suspenso — enfrenta acusações que incluem práticas punitivas sistemáticas e a morte de cerca de 26 militares entre o final de 2025 e a primavera de 2026. O regimento Skala é descrito como a maior formação de assalto do exército ucraniano, com mais de 10 mil efetivos e canais prioritários de suprimento, subordinado operacionalmente ao comandante em chefe, general Oleksandr Syrskyi.

Fontes ouvidas pela investigação relatam que a deriva ocorreu em paralelo à expansão numérica acelerada da unidade e à pressão por recompor perdas em setores críticos do front. Para suprir lacunas, teriam sido recrutadas pessoas de centros estatais de reabilitação — incluindo dependentes em tratamento com metadona —, objeções de consciência pressionadas e indivíduos com graves transtornos mentais, em uma seleção que, segundo testemunhos, teria ocorrido inclusive por vias coercitivas.

O primeiro contato dos novos recrutas, segundo depoimentos, acontece em um centro de triagem apelidado de "o galinheiro": uma instalação agrícola sem janelas onde centenas de homens são privados de telefones, despidos e submetidos a rotinas de disciplina inspiradas em códigos prisionais pós-soviéticos, sob vigilância de guardas conhecidos como vertukha. A manutenção da ordem se daria por meio de ameaças com armas, punições corporais por infrações mínimas e isolamento severo.

Em relatos angustiantes, células de isolamento abrigariam conjuntamente recrutas comuns e dependentes em crise de abstinência, privados dos medicamentos substitutos e imersos em episódios de alucinações e surtos violentos. Técnicas de contenção chegariam a incluir gás lacrimogêneo para subjugação, condição que expõe um alicerce frágil de disciplina e um risco humano inaceitável.

Para prevenir deserções, perímetros de campos de treinamento em áreas florestais teriam sido minados por inteiro, transformando bases em verdadeiros centros de detenção a céu aberto. Testemunhas relatam explosões noturnas atribuídas à fauna local ou a tentativas de fuga, com pelo menos um caso documentado de recruta que sobreviveu à detonação de um artefato e foi subsequentemente exposto às condições descritas.

Este dossiê impõe um duplo desafio: a necessidade de apuração judicial e disciplinar imediata e o risco de erosão da legitimidade das forças armadas em um momento em que a tectônica de poder na região exige coesão operacional e confiança cívica. As investigações procedem, e a suspensão de oficiais como Harkavyi sinaliza um primeiro movimento no tabuleiro institucional. Resta agora observar se a resposta do comando transformará essa emergência humanitária numa reforma estrutural capaz de reforçar os pilares morais e estratégicos da instituição.