Israel autoriza primeiro grupo de feridos a atravessar Rafah desde o início da guerra contra o Irã

Israel autoriza a saída de 8 feridos e 17 acompanhantes por Rafah; operação coordenada pela OMS e supervisionada pela UE em contexto de guerra com o Irã.

Israel autoriza primeiro grupo de feridos a atravessar Rafah desde o início da guerra contra o Irã

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Israel autoriza primeiro grupo de feridos a atravessar Rafah desde o início da guerra contra o Irã

22 de março de 2026 — Em um movimento calculado no tabuleiro regional, o Exército de Israel autorizou, nesta quinta-feira, a saída de um grupo restrito de pacientes palestinos feridos e seus acompanhantes pela passagem de Rafah, rumo ao Egito, para tratamento médico no exterior. Trata-se do primeiro deslocamento permitido desde a declaração de guerra conjunta israelense-americana contra o Irã, anunciada há quase três semanas.

As autorizações de segurança concedidas pelas autoridades israelenses contemplaram apenas oito pessoas feridas e 17 acompanhantes. O transporte foi realizado por meio de ônibus e ambulâncias, sob escolta de veículos da Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o Hospital Al-Amal — vinculado à Sociedade do Crescente Vermelho Palestino — em Khan Younis, no sul da Gaza, até o posto de controle de Rafah, conforme comunicado da Cruz Vermelha Palestina.

Serviços La Via Italia — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

O fechamento de todas as passagens de Gaza por parte de Israel, incluída a de Rafah, ocorreu no final de fevereiro, quando se intensificaram as operações após a escalada contra o Irã. Antes desse bloqueio, a passagem havia ficado aberta por menos de um mês, durante a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel.

Importante notar a arquitetura burocrática e de controle que regula qualquer saída de Gaza: viajantes, inclusive doentes e feridos, dependem de aprovação prévia de segurança por parte de Israel. O deslocamento, por sua vez, é coordenado pela OMS, única organização autorizada a cruzar a chamada "linha amarela" a leste de Khan Younis — um limite informal que separa áreas sob controle militar israelense de zonas densamente povoadas por mais de dois milhões de residentes de Gaza, muitos dos quais ainda não puderam retornar às suas casas.

Serviços La Via Italia — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

Os veículos da OMS circulam pela Salah al-Din Street, passando a leste de Rafah — que permanece sob completo controle israelense — até alcançarem o portão da passagem. A operação da fronteira envolve ainda uma missão da União Europeia sob supervisão, enquanto o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) organiza o retorno de pessoas a Gaza por meio de ônibus que as conduzem do portão até o Complexo Médico Nasser, em Khan Younis, sempre em coordenação com o Exército israelense. No sentido inverso, os retornos são submetidos a inspeções e interrogações no posto denominado "Regevim", localizado a poucos metros do lado palestino da passagem.

Do ponto de vista estratégico, a libertação controlada desse contingente reduzido funciona como um movimento de alto simbolismo: é um peão avançado no tabuleiro, calculado para aliviar pressões humanitárias e ao mesmo tempo reafirmar os alicerces da segurança que Israel pretende manter sobre os fluxos transfronteiriços. A decisão evidencia uma tectônica de poder onde atores multilaterais — OMS, ONU, União Europeia e autoridades egípcias — atuam como condutos e garantidores de mobilidade, mas sem romper a primazia do controle israelense sobre pontos nevrálgicos.

Em suma, o episódio confirma que, enquanto durar o estado ampliado de confronto, os corredores humanitários permanecerão seletivos e subordinados a cálculos militares e diplomáticos. A passagem de um grupo tão reduzido aponta para um fenômeno recorrente em crises complexas: pequenas aberturas táticas que podem aliviar sofrimentos imediatos, mas que mantêm intactas as linhas mestras do poder e do bloqueio.

Marco Severini — Espresso Italia. Análise e geopolítica.

Serviços La Via Italia — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘