Jovem atravessa os EUA a pé: de New York a San Francisco em busca do Pacífico
Chantz Rivera, 29, caminha de New York a San Francisco, cobrindo cerca de 30 km/dia; faltam 160 km para o Pacífico, objetivo antes do Halloween.
RESUMO ✦
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Jovem atravessa os EUA a pé: de New York a San Francisco em busca do Pacífico
Por Marco Severini — Em um gesto que mistura resistência física e vontade de ruptura com a rotina, Chantz Rivera, de 29 anos, está prestes a completar uma travessia singular: caminhar dos arranha-céus de New York até a costa da Califórnia, em San Francisco. Partindo em maio, ele percorre em média 20 milhas por dia — cerca de 30 km — e, após quatro meses e meio na estrada, aproxima-se da meta com cerca de 160 km restantes.
O enredo é simples, mas diz muito sobre movimentos individuais que reverberam coletivamente. Antes de assumir a marcha, Chantz trabalhava como lavador de pratos em New York. Levou consigo apenas um zaino e uma tenda, adotando uma estratégia austera de carga mínima e decisão máxima. “Era cansado da rotina, queria ver o mundo”, disse ele em suas redes sociais, onde documenta trechos da jornada que vem mobilizando atenção pública nos Estados Unidos.
Ao longo do caminho, o caminhante consumiu quatro pares de sapatos e cruzou múltiplos cenários humanos e geográficos — a paisagem urbana do Nordeste, as planícies e, mais adiante, as elevações do interior. Foi no Colorado que enfrentou uma tempestade que quase o fez desistir: “Mesmo pensando em parar, encontrei forças para seguir”, relatou. Essa capacidade de resistir diante das intempéries é o que transforma um ato pessoal em uma narrativa que atrai curiosidade e empatia.
Há, sob essa história, uma imagem estratégica: um único peão movendo-se no tabuleiro nacional, mas cuja travessia redesenha fronteiras invisíveis de percepção — sobre liberdade, austeridade e escolhas. A caminhada de Chantz não é um espetáculo militar; é um gesto civil que, no entanto, revela muito sobre a tectônica de poder cultural e as margens da experiência americana contemporânea.
Com aproximadamente 160 km para alcançar o litoral, ele expressou o desejo simbólico de colocar os pés no Oceano Pacífico antes do Halloween. Esse objetivo temporal confere à travessia um ritmo e uma narrativa: não se trata apenas de alcançar um destino, mas de fazê-lo dentro de um prazo que transforma cada etapa em uma jogada determinante.
O relato de Chantz — o jovem que trocou a cozinha de um restaurante por trilhas e estradas — comprova também a importância das redes sociais como cartografia emocional contemporânea: ao registrar encontros, dificuldades e pequenas vitórias, ele constrói um mapa humano que ultrapassa a lógica do turismo e toca em algo mais profundo: a procura por significado em movimento.
Quando finalmente pôr os pés no Pacífico, a imagem será, ao mesmo tempo, íntima e pública: o término de uma marcha que começou como ruptura individual e se transformou em narrativa coletiva. Resta aguardar o ato final dessa travessia, que já entrou para o imaginário popular como exemplo de resistência e decisão.
Marco Severini é analista sênior em geopolítica e estratégia internacional para a Espresso Italia.

