Judeus no Irã: uma história milenar de resistência diante de tensões e ataques

História milenar dos judeus no Irã: resistência, sinagogas atacadas em Teerã e os desafios após a revolução de 1979.

Judeus no Irã: uma história milenar de resistência diante de tensões e ataques

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GERADO EM: Jul 25, 2026 às 23:22

Judeus no Irã: uma história milenar de resistência diante de tensões e ataques

A destruição de uma sinagoga em Teerã foi atribuída a bombardeios israelenses, refletindo a complexa convivência entre judeus e muçulmanos no Irã. A comunidade judaica, com raízes de aproximadamente 2.500 anos, passou por períodos de tolerância e violência. Após a revolução de 1979, a população caiu de cerca de 100 mil para 9 mil, enfrentando restrições ligadas ao sionismo. Apesar das pressões, a comunidade mantém sinagogas e instituições, embora muitas estejam inativas. O recente ataque à sinagoga destaca a fragilidade das relações intercomunitárias no região. A persistência dos judeus argentinos sugere que, mesmo em minorias, as memórias e redes sociais permanecem significativas na dinâmica de poder.

Fique por dentro de todos os pontos deste artigo lendo a versão completa a seguir.

Por Marco Severini — Em um movimento que ressoa como um lance duro num tabuleiro estratégico, foi atribuído a bombardeios israelenses, e não aos aiatolás, a destruição hoje de uma das onze sinagogas de Teerã. A presença dos judeus na antiga Pérsia é um dos capítulos mais longos e complexos da convivência interconfessional no Oriente Médio, uma trajetória marcada por fases de relativa tolerância e por episódios de violência e retração.

Há cerca de 2.500 anos, após o exílio babilônico e sob o alicerce do reinado de Ciro, o Grande, os primeiros núcleos judaicos se estabeleceram em solo persa. Desde então, a comunidade atravessou séculos de adaptações — uma tectônica de poder local que alternou proteção e perseguição conforme os ventos políticos.

Durante o período do , no meado do século XX, a comunidade judaica iraniana conquistou notável mobilidade social e econômica. Esse avanço, contudo, foi bruscamente interrompido pela revolução de 1979: após a execução de líderes como Habib Elghanian, a população judaica, que atingira cerca de 100 mil pessoas, sofreu um êxodo massivo, reduzindo-se a menos de 25 mil e continuando a declinar nas décadas seguintes. Hoje, estimativas apontam para cerca de 9 mil judeus residindo no Irã, concentrados sobretudo em Teerã, Shiraz e Isfahan.

A nova ordem republicana transformou as ligações com o Estado de Israel em delito, e o regime separou institucionalmente a prática religiosa do que passa por política de Estado: o sionismo é criminalizado, enquanto o judaísmo permanece reconhecido formalmente pela Constituição iraniana. Esse duplo padrão criou um terreno ambíguo, onde existe infraestrutura — sinagogas, casas de abate kosher, yeshivot e escolas —, mas qualquer suspeita de vínculo com Israel pode levar a interrogatórios, detenções e mesmo acusações graves.

Apesar da pressão e das ondas migratórias, a comunidade sobrevive, sustentada por raízes profundas e por laços familiares e econômicos que mantêm muitos no país. Em números mais concretos: há pelo menos 11 sinagogas em Teerã, 18 em Shiraz e 32 em Isfahan, embora nem todas permaneçam ativas. No total, calcula-se que existam mais de 80 sinagogas no país, das quais menos de 30 continuam a abrigar ritos regularmente — um testamento de resiliência e adaptabilidade.

O passado recente registra episódios alarmantes: em 2000, treze judeus de Shiraz foram detidos sob acusações de espionagem e ameaçados de pena capital; somente uma pressão diplomática e uma campanha internacional evitaram o pior, embora tenham permanecido presos por longos meses. Mais recentemente, durante a chamada guerra dos doze dias, a Anti-Defamation League (ADL) pediu a lideranças judaicas medidas para garantir rotas seguras de saída para quem desejasse partir.

Escrever sobre os judeus no Irã exige calma analítica: não se trata apenas de condenar atos isolados, mas de mapear um horizonte estratégico onde símbolos, vínculos e punições coexistem com práticas religiosas toleradas. O episódio de destruição de uma sinagoga em Teerã é mais um movimento no tabuleiro regional — um lembrete de que os alicerces da diplomacia e da convivência intercomunitária são, por vezes, frágeis.

Para aqueles que estudam as grandes arquiteturas de poder, a persistência dos judeus iranianos é uma lição: comunidades podem ser reduzidas em números, mas suas memórias, instituições e redes sociais constituem peças estratégicas em qualquer redelocação de influência. O desafio para o futuro é evitar que as tensões externas convertam a presença histórica em anomalia, preservando a existência civil dentro de um Estado cuja política externa e segurança operam numa tectônica de interesses frequentemente antagônicos.